quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Blog do Rovai - Lula só sai da cadeia morto ou resgatado pelas ruas | Revista Fórum
Blog do Rovai - Lula só sai da cadeia morto ou resgatado pelas ruas | Revista Fórum: A institucionalidade pura é o caminho do abismo nos dias de hoje. Apostar apenas nela levará ainda muitos outros líderes a terem o mesmo destino de Lula
Mural com desenho de Mandela é apagado em escola militarizada no DF | Revista Fórum
Mural com desenho de Mandela é apagado em escola militarizada no DF | Revista Fórum: Frase do ex-presidente da África do Sul também foi coberta com tinta branca e direção alega que medida foi uma solicitação da Polícia Militar
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
CRÍTICA DA RAZÃO TUPINIQUIM Roberto Gomes
Divulgando...
Boa
tarde povo!
Voltamos!
Dia
de Pensamento Inquieto! Continuamos com os textos anunciados na primeira
postagem. Os mesmos serão divididos em várias postagens pra facilitar a
leitura.
Obs.:
Lembrando que temos uma novidade! Se você estiver sem tempo para ler o texto, a
partir de agora disponibilizaremos um link para que você possa ouvir o texto
sintetizado em MP3 (Haverá alguns sotaques visto que são sintetizadores
estrangeiros)! O(s) Link(s) estará(ão) sempre entre o primeiro e o segundo
parágrafo do texto postado.
Degustem!
GUETO
DO PENSAMENTO INQUIETO
Área
de Conhecimento: Ciências Humanas – Filosofia: CRÍTICA DA RAZÃO TUPINIQUIM
Roberto
Gomes - (Blumenau, Santa Catarina, 1944) é radicado em
Curitiba desde 1964, onde construiu toda sua carreira de escritor, professor de
filosofia e editor. Sua obra é composta de ensaios, contos, crônicas, romances
e literatura infantil. Sua Crítica
da razão tupiniquim, de 1977, um mergulho no pensamento brasileiro,
já apresentava seu modo de tratar temas graves com leveza, demolindo miragens.
É constante na sua obra a abordagem de temas como a educação, a formação do ser
humano, as estruturas de poder, o conflito de gerações. Estreando na ficção com
Alegres memórias de um
cadáver (1979), e com seu último romance, Os dias do demônio (1995),
em uma mescla de ficção e pesquisa histórica, aproxima-se do épico.
GOMES, Roberto. Crítica da
Razão Tupiniquim (9ª Ed.). Curitiba, Criar Edições. [s/d/1987].
[Resumo – Contra
Capa]
“Filosofia é dar-se
conta da filosofia.
Dando razões de sua
existência e assumindo os
riscos seguintes. Ela
não tem qualquer importância
que possa se impor a
mim antes do momento em que eu
me importe. Ao darmos a
existência da filosofia como
óbvia, ela se vê
transformada em sistema acabado, ao modo
de um arquivo de
primeiros socorros existenciais. Se
dou sua importância
por suposta, a tarefa do pensamento
se empobrece,
reduzindo-se à busca de um bom
ajuste entre fórmulas
e modelos, estruturas e conceitos,
mais ou menos como me
comporto diante da
necessidade de
cumprir à risca uma receita de bolo.”
Obs.: A numeração de páginas da presente ‘versão’ não tem nenhuma
relação com as edições oficiais desta obra! Por isso estarão referenciadas no
início de cada capítulos como: pp. O. numeração da edição original; e V. da
atual versão (pp.
O: 9 a 12 V: 2 a 5).
QUESTÕES PARA RELFEXÃO –
Para todo o livro
Quais
seriam os resultados ‘funestos’ da nossa condição de colonizados e de
dependentes política-econômica-culturalmente na vida e na história do nosso
país? Porque o nosso pensar e agir político-cultural nos levou às situações
históricas pelas quais passamos – especialmente à atual? O que tem/teria a ver
o nosso ‘modus vivendi’ com a nossa condição de explorados e oprimidos pelas
ditas ‘nações desenvolvidas’ – enquanto país –, e pelas nossas elites –
enquanto classes pobre e trabalhadora? Teria a mídia corporativa algum papel
nessa construção aparentemente um tanto “desorganizada” do nosso pensar?
Na presente obra o autor explora os porquês da não
existência de um pensar (filosofia) brasileiro autêntico, destacando que as
nossas construções acerca do real tem como único objetivo ser “ornamento e
prenda” e não a transformação deste real. Destaca também alguns dos nossos
mitos: o jeito, a concórdia, etc. que têm como base o ecletismo (posição filosófica
que assumimos quase desde sempre e que não conformou apenas uma ‘forma de
pensar’ e sim, “uma visão de mundo” que nos impede sermos nós mesmos) e na
razão afirmativa – fruto do positivismo – que nos impede de ‘negar’ a realidade
circundante a fim de apreendê-la, conhecê-la melhor e transformá-la.
Aparentemente as críticas do autor à nossa razão (razão
tupiniquim) é generalizada pra toda a nação (todo o povo), isto por causa de
algumas afirmações feitas. Entretanto, a crítica é dirigida aos ditos ‘intelectuais’,
à nossa intelectualidade, pois o mesmo afirma que ‘no povo, em suas vidas e nas
suas mais variadas manifestações’ estaria (ou poderia estar) a verdadeira fonte
de conhecimentos que nos possibilitaria “inventar” uma razão nossa, ou seja,
uma razão tupiniquim.
“Talvez seja impossível o tema deste livro, embora seu
título possa ser até sugestivo. Não é
fácil escrever sobre algo que só existirá caso seja inventado. Uma Razão
brasileira, não existindo atualmente, precisaria antes do mais se providenciada,
vindo à tona. Então, das duas uma: ou este livro não pode ser escrito ou será uma tentativa
de “inventar” esta Razão, seguindo vestígios esparsos no romance, na poesia, na
música popular e até – pois é capaz de que mesmo aí transpareça –
nalguns livros de filosofia.”
I.
UM TÍTULO – INTRODUÇÃO (pp. O: 9 a 12 V: 3 a 6)
Tudo
o que eu digo, acreditem, teria mais solidez se em vez de carioquinha eu fosse
um velho chinês.
Millôr
Fernandes
(Papáverum
Millôr)
QUESTÕES
PARA RELFEXÃO
O
que pode significar isso: Razão Tupiniquim? (...)
Conseguimos
rir de tudo. Do governo que cai e do governo que sobe. Das instituições que
deveriam estar a nosso serviço, dos dirigentes que deveriam representar nossos
interesses. (...)
Creio que a existência de uma piada tipicamente
brasileira deveria ser objeto de estudo mais aprofundado.
Possuirá características específicas? Que atitudes básicas revela? Uma saudável
maneira de suportar um existir humilhado? Um modo de estar acima daquilo que
amesquinha nosso dia a dia? (...)
Talvez
uma posição existencial muito nossa. O riso – um certo tipo de riso, o
nosso – nos salva, tiraniza o tirano, amesquinha quem nos tortura, exorciza
nossas angústias. Não creio, aqui de meu ponto de vista brasileiro – e que
outro ponto de vista poderia importar? – que pudéssemos ter feito melhor.
Há um perigo, porém. Sempre há um perigo. A mesma piada que salva pode mascarar-se em
alienação. Como qualquer criação humana, também a piada deve ser
essencialmente crítica, já que é de sua pretensão ser isso: uma forma de
conhecimento. Ora,
quando o riso se perde em pura facilidade, em distração, morre a atitude
crítica. E o “jeito piadístico” estará a serviço de nossa inautenticidade
[alienação]. Há indícios, entre nós, de tal coisa: deixar como está pra
ver como é que fica; não esquentar a cabeça [“quem esquenta a cabeça é palito
de fósforo, e morre queimado”]; analisa não; dá-se um jeito [“o que não tem
remédio, remediado está”]. (...)
Desconhecendo-se, mal
sabendo de uma Razão Tupiniquim, o brasileiro aliena-se de dois modos: rindo de
sua sem-importância ou delirando em torno do “país do futuro”, em variados
“anauês”.
O que pode significar isso: Razão Tupiniquim? Tratando-se
de título de um livro, supõe-se que denuncie um tema. Ocorre que este tema
jamais foi explicitado, não existindo. Fácil
constatar que entre nós esta Razão estará adormecida ou pulverizada em mil
manifestações que seria problemático reunir num único nó com a virtude da
síntese.
Talvez seja impossível o tema deste livro, embora seu
título possa ser até sugestivo. Não é
fácil escrever sobre algo que só existirá caso seja inventado. Uma Razão
brasileira, não existindo atualmente, precisaria antes do mais se
providenciada, vindo à tona. Então, das duas uma: ou este livro não pode
ser escrito ou será
uma tentativa de “inventar” esta Razão, seguindo vestígios esparsos no romance,
na poesia, na música popular e até – pois é capaz de que mesmo aí
transpareça – nalguns livros de filosofia.
Mas estas alternativas devem ser rejeitadas. Primeiro, me
é impossível não escrever este livro. Segundo, é absurda a pretensão de
“inventar”, aqui, seu tema. Outra será sua pretensão.
Partamos de algo pacífico: mal sabemos o que seja uma Razão Tupiniquim. Uma piada, talvez.
Hipótese que nos causaria grande prazer. Gostamos muito de piadas. Há todo um espírito
brasileiro que se delicia com a própria agilidade mental, esta capacidade de
ver o avesso das coisas revelado numa palavra, frase, fato. Somos,
os brasileiros, muito bem humorados. Conseguimos rir de tudo. Do governo que
cai e do governo que sobe. Das instituições que deveriam estar a nosso serviço,
dos dirigentes que deveriam representar nossos interesses. E não é só. Chegamos
a fazer piadas sobre nossa capacidade de fazer piadas. Nada mais ilustrativo do
que a série de piadas onde representantes de outros países são ridicularizados
pelo desconcertante “jeitinho” de um
brasileiro. Neste plano, seja dito, nos movemos com facilidade gritante.
Desta atitude
seria útil extrair o avesso. Embora tenhamos uma imensa mitologia construída em
cima de nosso jeito piadístico, no momento de pensar não admitimos piada.
Queremos a coisa séria. Frases na ordem inversa, palavras raras, citações
latinas – e é impossível qualquer piada em latim, creio. Isto criou situações
constrangedoras, como as fúteis críticas sérias a Oswald de Andrade, acusado
de mero piadista. Estranha gente, esta. Gaba seu inimitável jeito piadístico,
mas na hora das coisas “culturais” mergulha num escafandro Greco-romano.
Creio que a
existência de uma piada tipicamente brasileira deveria ser objeto de estudo
mais aprofundado. Possuirá características específicas? Que atitudes
básicas revela? Uma saudável maneira de suportar um existir humilhado? Um modo
de estar acima daquilo que amesquinha nosso dia a dia? Talvez sim. Certamente
sim. Uns reagem com dramaticidade, tragédia e muito sangue – ocorreu-nos reagir
com o riso.
Talvez uma posição
existencial muito nossa. O riso – um certo tipo de riso, o nosso – nos
salva, tiraniza o tirano, amesquinha quem nos tortura, exorciza nossas
angústias. Não creio, aqui de meu ponto de vista brasileiro – e que outro ponto
de vista poderia importar? – que pudéssemos ter feito melhor.
Há um perigo, porém. Sempre há um perigo. A mesma piada que salva pode mascarar-se em
alienação. Como qualquer criação humana, também a piada deve ser
essencialmente crítica, já que é de sua pretensão ser isso: uma forma de
conhecimento. Ora,
quando o riso se perde em pura facilidade, em distração, morre a atitude
crítica. E o “jeito piadístico” estará a serviço de nossa inautenticidade.
Há indícios, entre nós, de tal coisa: deixar como está pra ver como é que fica;
não esquentar a cabeça [“quem esquenta a cabeça é palito de fósforo, e morre
queimado”]; analisa não; dá-se um jeito [“o que não tem remédio, remediado
está”].
O conformismo
brasileiro encontra aí ser terreno de eleição. Justificar, por exemplo, sua própria condição –
dependência, insolvência política, jogos de privilégios – através de um simples
“o brasileiro é assim mesmo”, eis o que impede seja criada entre nós uma
atitude tipicamente brasileira ao nível da reflexão crítica, proposta e
assumida como nossa. Desconhecendo-se,
mal sabendo de uma Razão Tupiniquim, o brasileiro aliena-se de dois modos:
rindo de sua sem-importância ou delirando em torno do “país do futuro”, em
variados “anauês”. Na verdade, conformismo e ausência de poder crítico, pois nos
dois casos há um abandono – “deixa como está para ver como é que fica” – e uma
esperança mágica – “dá-se um jeito”.
Mergulhado num
escafandro greco-romano – embora não seja nem grego nem romano – o brasileiro
foge de sua identidade. Tem sido na filosofia que o espírito humano tem buscado sua
auto-revelação. Porém, autocomplacente e conformista, sujeito sério,
o brasileiro ainda não produziu filosofia. Assim, é necessário advertir que um
pensamento brasileiro jamais esteve lá onde tem sido procurado: teses
universitárias, cursos de graduação e pós-graduação, revistas especializadas –
e logo se verá por quê. No bolor de nosso “pensamento oficial” não se encontra
qualquer sinal de uma atitude que assuma o Brasil e pretenda pensá-lo em nossos
termos. Além do palavrório aridamente técnico e estéril, das ideias gerais, das
teses que antecipadamente sabemos como vão concluir, das ideias bem pensantes,
nada encontramos que possa denunciar a presença de um pensamento brasileiro
entre nossos “filósofos oficiais” vítimas de um discurso que não pensa, delira.
Este livro inviável começa, pois, com uma série de
advertências. A questão de um pensamento
brasileiro deverá brotar de uma realidade brasileira – não do “pensamento”
e da “realidade” oficiais. Deve inventar
seus temas, ritmo, linguagem. E inventar seus pontos de vista. Obras como as de
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Machado de Assis, Lima Barreto, Sérgio
Buarque de Holanda, Noel, Chico Buarque, além daquilo que se tem feito no campo
das ciências humanas nos últimos anos, têm mais a nos dizer do que
as maçantes teses universitárias nas quais a filosofia se mascara no Brasil. O mesmo se diga do
torcedor de futebol, da porta-estandarte e do homem da rua em geral.
Mas não será apenas isso que irá tornar viável este
livro. Uma Razão não se faz com um livro. Provisoriamente, permaneçamos em
nossos limites. Não se trata de
“inventar” uma Razão tupiniquim, mas de propor um projeto, um certo tipo de
pretensão, certamente quixotesca e evidentemente absurda: pensar o que se é,
como se é.
CONTINUA NA PRÓXIMA
QUARTA...
Obs.: Os negritos
itálicos são os destaques do texto original; os [ ], os negritos
e os negritos
vermelhos são destaques nossos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar suicídios
Divulgando de BBC News Brasil...
O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar
suicídios
Fernanda Wenzel De Porto Alegre para a BBC News
Brasil - 27 Novembro 2018
Image copyright Getty Images
Image caption Ferramenta é capaz de analisar sinais
de risco no uso do celular
"Alerta vermelho: você corre o risco de
cometer suicídio." Ao receber este aviso no smartphone, o paciente pode buscar
ajuda e evitar o pior. Este é o objetivo de um estudo realizado pela equipe do
Laboratório de Psiquiatria Molecular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA) e divulgado na revista científica Plos One.
Os pesquisadores criaram um algoritmo capaz de
analisar textos em busca de sinais de que o autor daquelas anotações possa vir
a se matar. Como paciente fictício, a equipe do HCPA utilizou ninguém menos que
Virginia Woolf, escritora britânica que tirou a própria vida aos 59 anos.
Um dos responsáveis pelo estudo, o médico
psiquiatra e professor Ives Cavalcante Passos, explica que a opção por Virginia
Woolf se deve ao histórico da escritora, semelhante ao de várias pessoas que
acabam por se matar: sofria de transtorno bipolar e ao longo da vida tivera
diversos episódios
depressivos seguidos de tentativas de suicídio.
Virginia Woolf tinha a vantagem de ter uma vasta
produção de textos pessoais publicados, já que escrevia quase diariamente cartas
e anotações em seu diário.
- A possível e surpreendente causa para o Alzheimer
- Como o analfabetismo funcional influencia a relação com as redes sociais no Brasil
O algoritmo escolhido foi o mesmo utilizado pelos
e-mails para identificar quais mensagens devem ir para a caixa de spams e quais
devem ficar na caixa de entrada.
O primeiro passo foi "ensinar" o
algoritmo a identificar cartas e anotações relacionadas ao desfecho do
suicídio. Para isso, foram utilizados textos escritos por Virginia Woolf dentro
dos dois meses anteriores à sua morte.
Este corte temporal foi determinado pelos médicos, que
entendem que neste período ela já havia entrado em um estágio crítico para o
risco do suicídio.
Depois que o sistema estava treinado, ele foi
aplicado aleatoriamente em diversos textos da romancista, escritos tanto em
períodos pré-tentativas de suicídio como em outros períodos em que ela estava
fora de risco.
O resultado é que o algoritmo acertou em 80% dos
casos. Ou seja, a cada 100 textos analisados, em 80 ele apontou corretamente o
desfecho: se Virgínia iria ou não tentar se matar nos próximos meses.
Segundo Passos, a ideia é que, no futuro, a mesma
ferramenta possa ser transplantada para um aplicativo capaz de analisar tudo
aquilo que escrevemos no smartphone, como mensagens no WhatsApp e em redes
sociais, e que iria emitir um alerta caso haja risco de suicídio.
Mas o médico lembra que o algoritmo é
individualizado, já que o padrão de escrita de cada pessoa é diferente. Ou
seja, o algoritmo construído para Virginia Woolf funciona apenas para Virginia
Woolf.
Além disso, a ferramenta
só pode ser aplicada em pacientes que já tentaram se matar, justamente porque
precisa ser treinada com base em eventos prévios. Como explica o professor, o
principal fator de risco para suicídio é justamente já ter tentado suicídio.
Image copyright George C Beresford/Getty Images
Image caption Para desenvolver ferramenta, equipe
usou textos da escritora britânica Virginia Woolf
Mais do que isso, as pessoas costumam deixar sinais
de que vão se matar: "Essa pessoa que dá pistas, que fala que vai se
matar, que escreve uma carta de suicídio, ou o aluno que no colégio busca o
coordenador ou fala pro amiguinho que pode tentar se matar, essa pessoa a gente
tem que olhar com calma. Ela pode realmente se matar".
No futuro, o modelo criado pela equipe de Porto
Alegre poderá se tornar ainda mais preciso pela inclusão de outros fatores de
risco, como o sexo do paciente (no Brasil os homens se matam 4 vezes mais do
que as mulheres), histórico de suicídio na família ou consumo de álcool ou
outras drogas.
O professor não descarta que o aplicativo possa
analisar inclusive variações no fenótipo digital do usuário, como o tom de voz
ao telefone ou a velocidade de digitação.
Para o médico, este tipo de algoritmo deve tornar a
medicina mais preventiva: "Hoje o sujeito chega deprimido no meu
consultório. Imagina que no futuro talvez ele chegue muito antes. Não vamos
tratar o episódio depressivo, vamos prevenir o episódio depressivo".
O trabalho compôs a dissertação de mestrado de
Gabriela de Ávila Berni e contou com a supervisão do professor Flávio
Kapczinski, da McMaster University.
Para mim
o mundo era preto e branco
Teresinha de Lourdes da Silva tem 60 anos e já
tentou se matar duas vezes. A primeira foi há mais de 15 anos, depois do
divórcio do ex-marido. Três anos depois, uma nova crise depressiva resultou na
segunda tentativa de tirar a vida. "Eu não tinha mais graça em viver, para
mim o mundo se resumia em preto e branco."
As coisas começaram a mudar quando Teresinha
decidiu levar a sério o tratamento, com consultas periódicas ao psiquiatra e
uso de medicação. O apoio da família também foi fundamental, especialmente nos
períodos mais críticos da depressão, em que ela não podia ficar sozinha em
casa.
Image copyright Getty Images
Image caption Algoritimo desenvolvido por
pesquisadores brasileiros visa agir preventivamente
Teresinha voltou a trabalhar como babá e fica feliz
de servir de exemplo para quem está passando por momentos difíceis. Seu
principal conselho é procurar ajuda: "Nunca a gente consegue sozinho. Se
eu não tivesse procurado um atendimento especializado eu tinha me consumido.
Eles (profissionais de saúde) são os anjos da minha vida".
Para o médico Ives Cavalcanti Passo, o caso de
Teresinha comprova o quanto o suicídio pode ser evitado: "Se a pessoa tem
ideação suicida, se tu identifica e trata bem, é um evento extremamente
reversível".
Virginia
Woolf: traumas familiares e obscurantismo
A "paciente" escolhida no estudo do HCPA
teve uma vida conturbada, seja pelo âmbito familiar como pelo contexto
histórico que a Europa vivia na primeira metade do século 20.
Nascida em 1882 em um distrito de Londres, Reino
Unido, Virginia Woolf cresceu em meio a artistas e intelectuais fortemente
influenciados pelos pensamentos que surgiam na época, entre eles a psicanálise
e o niilismo.
A professora do Programa de Pós-graduação em Letras
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Elaine Indrusiak lembra que este
ideário pré-guerras mundiais teve forte influência na vida e obra de Virginia
Woolf.
"O choque entre a moralidade vitoriana muito
rigorosa e o obscurantismo que começa a surgir, da falência de tudo (...)
Virginia coloca em letras essa fragmentação que ela vivia e sentia na psique,
mas que também é uma fragmentação da própria sociedade em que ela vive".
No âmbito pessoal, a vida de Woolf foi marcada
pelas perdas da mãe (aos 13 anos) e de dois irmãos. Várias biografias contam
que ela e a irmã Vanessa foram abusadas sexualmente por dois meio-irmãos mais
velhos.
Segundo Indrusiak, a escritora também não se
conformava com a maneira como a sociedade subjugava as mulheres. Fatores que,
associados ao diagnóstico de transtorno bipolar, explicam muitas das angústias
reveladas nos diários e cartas analisados pelos médicos do HCPA.
Image copyright Central Press/Getty Images
Image caption Virginia Woolf viveu em contexto familiar
e histórico conturbados
Do ponto de vista literário, a professora destaca
que Virginia Woolf é uma das escritoras que utilizaram de forma mais magistral
a técnica do fluxo de consciência e destaca três obras da romancista inglesa: Rumo
ao Farol , Mrs. Dalloway e Orlando.
O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio
emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita pelo telefone
188, sob total sigilo, 24 horas por dia. Para mais informações sobre onde
procurar ajuda para si ou para amigos e familiares, acesse: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
terça-feira, 27 de novembro de 2018
Paulo Freire ameaçado de expurgo
Divulgando
de Instituto Paulo Freire
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Cargos na Secretaria de Educação do DF serão ocupados com seleção
Divulgando de Metrópoles...
Cargos na Secretaria de Educação do DF serão ocupados com seleção
Novo
secretário da pasta está firmando parcerias com entidades privadas e ONGs para
profissionalizar gestão pública.
Priscilla Borges 21/11/2018
13:01 . atualizado em 21/11/2018 13:44
Os cargos estratégicos da Secretaria de Educação do
Distrito Federal serão ocupados, a partir de 2019, por meio de seleção. O
processo incluirá análise de perfil dos candidatos, testes de resiliência,
integridade e competências, avaliação de experiência e formação. A Fundação Lemann, uma
organização não governamental da área educacional, será a responsável por
traçar a metodologia. Além disso, vai promover formação profissional continuada
aos escolhidos para ocupar as vagas de subsecretários, coordenadores regionais,
secretários adjuntos e assessores.
Segundo Rafael Parente, que assumirá a secretaria,
várias parcerias com entidades sem fins lucrativos ou empresas dispostas a
contribuir com o governo serão realizadas. O objetivo é profissionalizar os
processos de gestão da pasta. “Para conseguir resultados rápidos, precisamos de
uma equipe 100% profissional, comprometida e íntegra”, afirmou em entrevista
exclusiva ao Metrópoles. Os diretores de escolas continuarão sendo
eleitos.
Mais sobre o assunto
- Novo
secretário de Educação, Parente procura diretoria do Sinpro-DF
- Novo
secretário de Educação: “Vou lutar por melhorias nos salários”
- Ibaneis
confirma Rafael Parente como novo secretário de Educação
Além da Fundação Lemann, outras duas entidades já
se mostraram dispostas a colaborar. Uma delas é a Falconi Brasil,
experiente empresa de consultoria em gestão que ajudará a criar planejamentos
estratégicos para a secretaria. A Falconi terá a tarefa de identificar as
prioridades da área, otimizar processos, definir indicadores para medir
resultados e sucessos. Parente pretende montar escritórios de projetos dentro
da secretaria.
A outra, ainda em negociação, é a Vetor Brasil.
Organização sem fins lucrativos, atua em parceria com governos estaduais e
municipais para desenvolver profissionais. Eles devem ajudar na seleção da
equipe que vai compor as subsecretarias da pasta. Os servidores interessados em
ocupar os cargos poderão se inscrever para os processos seletivos assim que
forem abertos. A secretaria divulgará as informações.
Sem contrapartida
As consultorias não serão remuneradas, de acordo
com o secretário. “Estamos abertos a mais parcerias, mas é importante destacar
que as entidades não receberão verbas do GDF na nossa gestão. Elas não poderão
participar, inclusive, de qualquer licitação do governo”, garante.
Parente admite uma possível resistência à nova
metodologia de escolha dos cargos estratégicos. Porém, acredita ter os
argumentos necessários para convencer os mais céticos de que a “causa é nobre”.
“O que queremos é uma educação melhor para todos. Minha principal meta é
colocar o DF em primeiro lugar no Ideb em todas as etapas de ensino e a gente
tem total condição para isso”, afirma.
O Ideb é o indicador do Ministério da Educação que
avalia a qualidade do ensino público em todas as redes. Ele traça metas para
cada etapa do ensino fundamental e para o ensino médio. Na última divulgação de
resultados do indicador, em 2017, o Distrito Federal só atingiu a nota
projetada para os anos iniciais do ensino fundamental. O pior desempenho foi no
ensino médio, que ficou com índice de 3,4 (a meta era 4,4).
Para o novo secretário, o maior desafio será
motivar, estimular e melhorar as condições de trabalho dos servidores da rede.
Ele também defende mudanças na burocracia da pasta, que define como lenta e,
muitas vezes, ineficiente. “Os funcionários são competentes e precisam de
motivação, mas os processos burocráticos precisam ser mais inteligentes e
profissionais, além de menos morosos”, destaca.
Ele replicará no DF parte do modelo de gestão que
ajudou a implementar na Secretaria Municipal do Rio de Janeiro. Parente foi
subsecretário de educação entre 2009 e 2013. “É uma mudança cultural e, por
isso, muito desafiadora, mas o governador me pediu resultados rápidos, e a
profissionalização da gestão é o caminho.”
Apesar
da estratégia temos que conhecer e analisar melhor as parcerias.
terça-feira, 20 de novembro de 2018
O que nos falou o Secretário de Educação do próximo Governo do DF
Divulgando de Metrópoles...
Para onde deve caminhar a Educação do Distrito Federal?
18/11/2018 5:22 . atualizado em 19/11/2018 22:30
Uma sociedade não evolui sem investir em educação. Dela dependem os desenvolvimentos econômico,
social e humano, o bem-estar, a qualidade de vida, a saúde, a segurança, etc.
Os países mais ricos e sérios priorizam, realmente, a educação. Países em
desenvolvimento acelerado, como Polônia, Vietnã, República Checa e Estônia
conseguiram construir um pacto político e social pela educação. É disso que
precisamos no Distrito Federal, e é essa a vontade do novo governo.
A rede distrital já tem uma série de vantagens em relação à média
nacional, mas enfrenta enormes desafios. Temos o melhor quadro técnico, com
a maior proporção de mestres e doutores, menores distâncias geográficas e
remunerações superiores à média (o que não significa que não devamos ser mais
ambiciosos).
Entretanto, precisamos melhorar muito a
infraestrutura das escolas, as condições de trabalho, as políticas de formação
continuada, de reconhecimento, de comunicação, de articulação e de
transparência. É fundamental ampliar e qualificar os investimentos em diversas
áreas. Devemos motivar os profissionais da educação e cuidar deles.
Mais sobre o assunto
- Novo
secretário de Educação: “Vou lutar por melhorias nos salários”
- Na
capital do país, 90% das escolas precisam de reformas, diz TCDF
- Ibaneis
confirma Rafael Parente como novo secretário de Educação
Para enfrentar os desafios internos da rede e das
escolas, não há outra saída senão a de contar com a seleção e o desenvolvimento
profissional contínuo de técnicos altamente qualificados ocupando posições
estratégicas. Nossos profissionais devem ser competentes, íntegros,
comprometidos e motivados. Para isso, já começamos o planejamento de uma série
de ações, como incluir a análise de currículo e de perfil na seleção de
assessores, subsecretários e coordenadores regionais.
Nossos espaços escolares, nosso currículo, nossas
metodologias e rotinas precisam passar por um processo de modernização. Nossas
escolas serão espaços acolhedores, inspiradores e desafiadores. Os alunos não
podem se sentir inseguros ou com medo. Precisam compreender a relevância do
processo educacional e do conteúdo apresentado e, sobretudo, sentir que fazem
parte de uma comunidade"
Os métodos de ensino devem se aproximar da forma
como aprendemos hoje. Avanços tecnológicos que vêm impactando nossos hábitos e
trabalhos serão utilizados. O acesso à internet de qualidade deve ser
viabilizado. Novas descobertas das neurociências influenciarão nossas ações pedagógicas.
Atividades que proporcionam o desenvolvimento de habilidades e competências
essenciais para a vida serão incluídas nos planejamentos de aulas.
Estímulo aos professores
Os professores, em geral, são pessoas idealistas,
que se sentem desestimulados e incapazes frente ao sistema. A carreira precisa
ser atraente, com formações (iniciais e continuadas) que privilegiam a prática
de forma efetiva e a constante melhoria, respeitando a singularidade de cada
profissional.
O trabalho dos professores depende de materiais
didáticos de qualidade e de metodologias mais atuais. Macrotendências mundiais
na didática, como aprendizagem baseada em projetos, personalização e
gamificação, serão conhecidas e praticadas, com infraestrutura adequada para
sua utilização.
Além disso, sabemos que a comunidade escolar é
constituída por outros atores e que a aprendizagem pode acontecer a qualquer
hora, em qualquer lugar. Diferenças na participação de familiares são
perceptíveis antes mesmo da pré-escola, já que os anos iniciais são decisivos
para o desenvolvimento do cérebro.
O número de palavras conhecidas por uma criança
quando ela inicia sua vida escolar tem grande influência sobre seu sucesso
acadêmico, uma vez que quanto mais sabemos, mais facilidade temos para
aprender. Devemos aumentar a integração e melhorar a qualidade nas relações
entre escola, família e bairro. Combateremos, com políticas públicas adequadas,
a violência urbana, que contribui para a baixa aprendizagem.
Investimento em formação
Vamos investir no aumento da eficiência da gestão,
em níveis micro e macro. Nossos diretores e coordenadores de escolas necessitam
ter formação e ferramentas adequadas. As políticas educacionais devem ser
calcadas em evidências científicas e referenciadas por tendências globais.
Precisamos melhorar a implementação e a avaliação
dessas políticas, além da articulação com outras pastas, como cultura,
esportes, saúde e assistência social. A burocracia deve ser inteligente e ágil.
A descontinuidade de quadros profissionais, de políticas e de projetos só deve
acontecer quando comprovadamente ineficientes.
Transformar uma rede de educação é uma tarefa
extremamente complexa, que requer respeito, diálogo e planejamento para que tenhamos
profissionais e alunos comprometidos e motivados. Apesar da quantidade e do
tamanho dos desafios, que não devem ser subestimados, sabemos que essa é a mais
importante de todas as causas e enxergamos essa oportunidade como uma missão.
Vamos, juntos, escolas, famílias e toda a sociedade
fazer o que precisa ser feito para que possamos fazer a travessia da realidade
que temos para a realidade que precisamos, queremos e merecemos.
*Rafael Parente – PhD em Educação pela NYU e futuro
secretário de Educação do DF
Artigo
do Secretário de Educação do próximo governo do Distrito federal na revista
Metrópoles.
Me
pareceu interessante à primeira vista pelos ‘assuntos’ abordados!
Meu amigo
professor Evandir Pettenon do CEd 310 de Santa Maria-DF me enviou a imagem
abaixo (que parece ser de um perfil do nosso futuro chefe) afirmando que o
mesmo é progressista - ele, professor Evandir, já havia me dito antes que
“esperava ele (o próximo secretário de educação) bem mais neoliberal”, pois
algumas das suas ligações são de muito interesse de grupos neoliberais da
iniciativa privada que, com algumas ressalvas, querem se adonar da educação
pública brasileira - incluindo do DF – como o “Todos pela Educação”. Ah! Isso é
uma avaliação pessoal, minha!
Ainda estou em dúvida se ele é progressista, anti
Bolsonaro ou apenas mais um neoliberal adocicado que ‘se importa’ com algumas
‘causas sociais’. Pelo menos uma iniciativa que eu particularmente esperava da
parte do próximo Secretário de Educação parece que vai acontecer: que ele
convidasse o SINPRO-DF para um bate papo e, segundo uma agenda que me foi
repassada, via WhatsApp, pela companheira e diretora do sindicato, professora
Goretti, está agendada para o dia (26/11 Reunião com futuro Secretário de
Educação (só comissão de negociação) às 9h;) e isto, a meu ver demonstra senão
um compromisso verdadeiro ainda impossível de se comprovar (pois só vamos ver
isto na prática), uma enorme boa vontade da parte do nosso futuro chefe.
E, afinal, o fato é que 'classificar' alguém -
mesmo quando o conhecemos bem - é um processo extremamente contraditório e
ainda é muito cedo para opiniões mais abalizadas...
Que ele seja bem vindo!
JKim #Lula LIVRE da Silva (professor do CEF 316 de
Santa Maria-DF)
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