terça-feira, 10 de abril de 2018

Síntese da semana que se passou 8

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Disputas de narrativas
Apesar d@s companheir@s estarem cansad@s e ou desanimad@s e ou tristes e ou desiludid@s e ou revoltad@s e ou traid@s e ou não sei o que, segue, para reflexão, uma análise e balanço político do histórico e cinzento dia de hoje:

Na disputa de narrativas Lula deu, mais uma vez, uma aula de comunicação e política, a sua estratégia venceu.

Ao decidir ficar no sindicato, rodeado por militantes, conseguiu pautar toda a mídia, mesmo sem dizer uma palavra (ontem), se falasse mudaria o discurso em andamento: o povo protege seu líder).

Agigantou-se perante a mídia internacional que acompanhou as imagens das pessoas protegendo-o.

Evitou aparecer na capa da Veja e das outras revistas que ontem já haviam fechado a edição do final de semana.

Calado e quieto ele obrigou as grandes redes de TV a manterem a cobertura a espera do desfecho que durou toda o dia de hoje.

A cereja do bolo é que o próprio Juiz que o condenou ajudou a construir a narrativa quando não mandou prender, mas pediu que ele se apresentasse espontaneamente.

Inteligentemente ele disse não! Por fim tem a ilegalidade da prisão antes dos embargos que alimenta o enredo da INjustiça.

Com o ato ecumênico e o seu discurso, LULA continuou pautando a mídia e atraindo a atenção de todo o mundo.

No final do dia, mesmo com a revolta de parte da militância, que não aceitava que Lula se entregasse, impedindo a sua saida da Sede do Sindicato, o que complicaria muito a sua situação jurídica, novamente Lula mostrou inteligência e firmeza ao sair a pé do Sindicato rodeado de seguranças, até entrar nos carros do comboio da Polícia Federal.

A estratégia de comunicação do Lula, até agora, foi vencedora também por que conseguiu adiar o prazer de quem queria vê-lo acuado, desmoralizado, preso e algemado.

Agora com a sua entrega a PF, os grandes meios de comunicação tentaram reverter essa imagem. Vão buscar um imagem ou foto da sua prisão para estampar em seus jornais, blogs, revistas, televisões.

A nossa narrativa do golpe vai e deve continuar. A dos golpistas também.

Portanto a disputa continua, mas o impacto negativo que se previa para o desfecho desse trágico dia foi, imensamente menor, com o nosso grande Líder se destacando mais uma vez como o maior e mais importante político deste país e, talvez, do mundo.

Síntese da semana que se passou 7

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Texto do Rodrigo Perez Oliveira. Historiador e Professor da UFBA:


"Que Lula há muito tempo deixou de ser homem e se tornou uma instituição é consenso à direita e à esquerda. O que está em jogo, em disputa, é o significado da instituição, o que ela representa.

Lula é o maior corrupto da história do Brasil ou a principal liderança popular que esse país já teve?

A disputa está ai. No atual estado da situação não sobrou muito espaço para meio termo. Ou é uma coisa ou é a outra. Cada um que escolha seu lado.

Na condição de instituição, todo gesto de Lula tem dimensão simbólica, é lido e interpretado por todos, por detratores e admiradores. Lula pega o microfone e o país paralisa em frente à TV. Os admiradores choram. Os jornalistas a serviço da mídia hegemônica silenciam. Ninguém fica indiferente a uma instituição desse tamanho.

Lula sabe perfeitamente que está sendo observado, conhece muito bem o tamanho que tem e explora com extrema habilidade sua capacidade de fabricar símbolos.

Aqui neste ensaio, trato de uma parte muito pequena da biografia de Lula, mas que talvez seja, na perspectiva simbólica, a mais importante. Talvez seja até mais importante [que] os oito anos de seu governo.

Falo das 34 horas em que Lula esteve no sindicato dos metalúrgicos, sob os olhares do mundo, construindo a narrativa de seu próprio martírio.

Não falo em “resistência”, pois desde a condenação no Tribunal da Quarta Região, em 24 de janeiro, que o destino de Lula já estava selado. Os advogados cumpriram sua função, recorrendo a todos as instâncias e tentando um habeas corpus, mas todos já sabiam que Lula seria preso.

Por isso, seria ingênuo dizer que o que aconteceu em São Bernardo do Campo foi um ato de resistência. Lula é um político experiente demais para resistir em causa perdida.

Alguns companheiros e companheiras, no auge da emoção, tentaram usar a força. Lula fugiu da custódia dos trabalhadores e se entregou à Polícia Federal, pois sabe que contra o braço armado do Estado ninguém pode. Lula sabe que aqueles que ali estavam eram trabalhadores e trabalhadoras, pais e mães de família. Não eram soldados. Não eram guerrilheiros. A resistência não era possível.

Lula sabe que seria impossível sustentar aquela mobilização durante muito tempo e por isso não resistiu. Mas daí a se entregar resignado como boi manso para o abate a distância é grande, muito grande.

Penso mesmo que Lula fez mais que resistir, já que a resistência seria quixotesca, irresponsável. Lula pautou a própria prisão, saiu da posição de simples condenado pela justiça para se tornar o dono da narrativa. Lula foi sujeito do próprio encarceramento, deu um nó nas forças do golpe neoliberal.

Muitos achavam que Lula deveria ter fugido para uma embaixada amiga e de lá partido para o exílio no exterior. Confesso que também pensei assim. Mas Lula é muito mais inteligente que todos nós juntos.

Lula sabe que já viveu muito, sabe que não lhe sobra muito tempo de vida. O que resta agora é a consolidação da biografia, o retorno às origens, seu renascimento como ícone da esquerda brasileira, imagem que ficou um tanto maculada pelos oito anos em que governou o Brasil.

É que no capitalismo não existem governos de esquerda. Governo de esquerda só com revolução e Lula nunca foi revolucionário, nunca prometeu uma revolução.

Todo governo legitimado pelas instituições burguesas será sempre burguês. No máximo, no melhor dos cenários, será um governo de centro sensível às demandas populares. O lulismo foi exatamente isso: uma prática de governo de centro sensível às necessidades dos mais pobres. O lulismo transformou o Brasil pra melhor, com todos os seus limites, com todas as suas contradições.

Mas para encerrar a vida em grande estilo carece de algo mais. Era necessária a canonização política. E só a esquerda canoniza líderes políticos. A direita é dura, cinza, sem poesia.

O golpe neoliberal conseguiu reconciliar Lula com as esquerdas, o que há poucos anos parecia algo impossível de acontecer.

É que pra ser canonizado pelas esquerdas nada melhor que ser perseguido pelo poder judiciário, habitat histórico das elites da terra. Basta lançar no google os sobrenomes da maioria dos nossos juízes, procuradores e desembargadores e veremos os berços de jacarandá que embalaram os primeiros sonhos dos nossos magistrados.

É claro que Lula não planejou a perseguição. É óbvio que ele não queria ser perseguido. Se pudesse escolher, estaria tendo um final de vida mais tranquilo, talvez afastado da política doméstica e atuando nas Nações Unidas. Mas já que a vida deu o limão, por que não espremer, misturar com açúcar, cachaça, mexer bem e mandar pra dentro?

Lula fez exatamente isso: uma caipirinha com os limões azedos que seus adversários togados lhe deram.

Primeiro, ele fez questão de esgotar todos os mecanismos legais. A sentença de Moro, os votos dos desembargadores, os votos dos Ministros da Suprema Corte não são palavras ao vento. São “peças”, para falar em bom juridiquês, que ficarão arquivadas e disponíveis para a consulta, para análise.

Imaginem só, leitor e leitora,  os historiadores que no futuro, afastados da histeria e das disputas que hoje turvam nossos sentidos, examinarão a sentença de Sérgio Moro,  verão que o juiz não foi capaz de determinar em quais “atos de ofício” Lula teria beneficiado a OS para fazer por merecer o tal Triplex do Guarujá.

É como se Moro estivesse falando: "não sei como fez, mas que fez, ah fez".

E o voto dos desembargadores do TRF 4, atravessados de juízos de valor, quase sem relar no mérito da sentença?

E o voto de Rosa Weber? Por Deus, o que foi aquele voto de Rosa Weber?

“Sei que estou votando errado, mas vou continuar votando errado só porque a maioria votou errado. Uma maioria que só vai votar porque eu vou votar errado também.”

Lula, ao se negar a fugir, obrigou cada um desses togados a deixar impressos na história os rastros da própria infâmia.

Uma vez decretada a prisão, o que fez Lula?

Deu um tiro no peito? Se entregou em São Paulo? Foi pra Curitiba? Fugiu?

Não!

Lula se aquartelou no sindicado mais simbólico da redemocratização brasileira, o sindicado que representa as expectativas que nos 1980 apontavam para um Brasil mais justo, mais solidário.

No apogeu da crise que significa o colapso do regime político fundado na redemocratização, Lula decidiu encenar o seu martírio onde tudo começou.

Naquele que talvez seja o último grande ato de sua vida pública, Lula voltou às origens.

Protegido pela massa de trabalhadores, Lula não cumpriu o cronograma estipulado por Sérgio Moro. Cercado por uma multidão, o Presidente operário transformou o sindicato dos metalúrgicos numa embaixada trabalhista.

A Polícia Federal, o braço armado do governo golpista, disse que não usaria a força. A Polícia Federal sabia que o povo resistiria, que sem negociação não tiraria Lula do sindicado sem deixar uma trilha de sangue.

Lula negociou e, nos limites dados por sua posição de condenado pela justiça, venceu e humilhou a instituições ocupadas pelo golpe neoliberal.

Lula não estava foragido. O mundo inteiro sabia onde ele estava e mesmo assim o Estado brasileiro não foi capaz de prendê-lo no prazo determinado pela justiça golpista. Durante um pouco mais de 30 horas, Lula foi um exilado dentro do Brasil, como se São Bernardo do Campo fosse um República independente, uma república governada pelos trabalhadores.

Lula fez de uma missa em homenagem a Dona Marisa Letícia um ato político e aqui temos mais um lance simbólico do Presidente operário: restabeleceu as pontes entre a esquerda brasileira e a Igreja Católica, aliança que tão importante nos anos 1970, quando sob as bênçãos da Teologia da Libertação foi fundado o Partido dos Trabalhadores.

No palanque, junto com o Padre, estavam Lula e as futuras lideranças da esquerda brasileira. Lula dividiu seu butim em vida, tomou pra si esse ato mórbido, ao abençoar Boulos, Manuela e Fernando Haddad.

Lula unificou em vida a esquerda brasileira. Não só unificou, mas pautou, apresentou o programa, cantou o caminho das pedras.

Lula deixou claro que o povo mais pobre precisa comer melhor, precisa consumir, viajar de avião, estudar na universidade. Lula, o operário que durante a vida inteira foi humilhado por não ter diploma de ensino superior, foi o professor de milhões de brasileiros que sonham com um país melhor.

É como se Lula estivesse dizendo: “num país como o Brasil, a obrigação mais urgente da esquerda é transformar o Estado burguês em agente provedor de direitos sociais”.

Lula discursou durante uma hora em rede nacional, se defendeu das acusações. Não foi uma defesa para a justiça, mas sim para o tribunal moral da nação. Não foi um discurso para o presente. Foi um discurso para a história.

Não, meus amigos, acuado pelas forças do atraso, Lula não deu um tiro no próprio peito.

Lula mandou trazer cerveja e carne e fez um churrasco com seus companheiros e companheiras. Foi carregado pelos seus iguais, foi tocado, beijado. Saliva, suor, pele.

Lula não deu um tiro no próprio peito.

Getúlio é gigante, sem dúvida, mas também era herdeiro das oligarquias. Lula é o único trabalhador que, vindo da base da sociedade, conseguiu governar e transformar o Brasil. Lula já é maior que Getúlio.

Diferente de Getúlio, Lula entrou pra história sem precisar sair da vida."

Síntese da semana que se passou 6

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Eu acuso

(Juremir Machado)

Cento e vinte anos depois do grito de Emile Zola, eu acuso o juiz Sérgio Moro de encarniçamento contra Lula em nome de um projeto de brilho pessoal. Eu acuso Moro de querer aparecer e de forçar instituições a partir de uma visão ideológica seletiva. Eu acuso Sérgio Moro de ter sido investigador, acusador e juiz. Eu o acuso de, contrariando o princípio de distanciamento do julgador, ter formado equipe com o Ministério Público e a Polícia Federal, apoiado por parte da mídia, para desequilibrar o jogo político brasileiro. Eu acuso o judiciário, numa das suas diversas ramificações, de parcialidade, subjetivismo e tendenciosidade, tendo, como prova dessa seletividade, deixado até hoje livre, sem ter mais foro privilegiado, por fatos ocorrido há 20 anos, condenado em segunda instância, no conveniente aguardo de demorado julgamento de embargos, o grande tucano Eduardo Azeredo, pai dos mensalões e ex-governador de Minas Gerais. Só no próximo dia 24 de abril, pressionado pelos acontecimentos atuais, acontecerá o julgamento do recurso de Azeredo. Será preso ou esperará em liberdade o exame dos embargos dos embargos que deverá interpor?
Eu acuso o Supremo Tribunal Federal de ter descumprido clamorosamente a Constituição Federal, que prevê no inciso XVII do seu artigo 5º a culpabilidade só depois do trânsito em julgado, como qualquer pessoa alfabetizada pode ler e compreender. Eu acuso o ministro Luís Roberto Barroso, num arroubo de demagogia jurídica, de ter confessado publicamente que descumpriria a Constituição, em função de um duvidoso conceito de mutação, por considerá-la superada no item em questão e incapaz de corresponder às expectativas atuais da sociedade. Eu acuso o judiciário de condenar sem provas, com base em construções claudicantes como a teoria do domínio do fato e a teoria da cegueira deliberada, em nome de um punitivismo messiânico. Eu acuso o messiânico procurador Deltan Dallagnol de confundir ilações com fatos e de comportar-se como um iluminado salvador de consciências.
Eu acuso o Senado de manter Aécio Neves nos seus quadros apesar da fartura de provas contra ele, que, além de tudo, quebrou de todas as formas o decoro. Eu o acuso o STF de dois pesos e duas medidas, tendo afastado Eduardo Cunha do cargo, só depois de ele ter convenientemente conduzido o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e não ter sustentado a mesma posição em relação a Renan Calheiros e Aécio Neves. Eu acuso o STF de permitir a prisão de um homem a partir de provas sobre as quais pairam dúvidas e de manter como senador um homem sobre o qual pesam provas robustas. Eu acuso o STF de ambiguidade, hipocrisia, conveniência e seletividade ideológica. Se podia afastar Eduardo Cunha, sem autorização parlamentar, podia fazer e manter o mesmo quanto a Aécio. Eu acuso a ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, de ter se acovardado no caso de Calheiros, soltado Aécio e atropelado a ordem jurídica para apressar a prisão de Lula.
Eu acuso a Câmara dos Deputados de manter na presidência da República, depois de ter derrubado uma presidente eleita pelo voto popular com base num forjado crime de responsabilidade jamais antes caracterizado como tal, um político asfixiado por provas acachapantes de malfeitos sob pretexto de que seria nocivo para o país ter uma nova troca de comando. Eu acuso todas as instâncias de jamais terem querido levar adiante investigações sobre as denúncias de compra da emenda constitucional que permitiu a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Eu acuso o STF de deixar convenientemente prescrever ações contra Romero Jucá e outros que tais. Eu acuso Michel Temer de ter usado emendas parlamentares para cabalar votos capazes de mantê-lo no poder.
Eu acuso o general Villas-Boas de ter feito uma declaração golpista para intimidar o STF às vésperas do julgamento do HC do ex-presidente Lula. Eu acuso a Rede Globo de ter usado a declaração do general para assustar a população e pressionar os ministros do Supremo. Eu acuso a ministra Rosa Weber de covardia e falsa coerência, tendo votado manifestamente contra a sua confessada convicção por entender que se tratava de caso concreto e não da regra do jogo quando os demais ministros tratavam do princípio geral e não da concretude. Eu acuso a ministra Carmen Lúcia de ter pautado o julgamento de um caso concreto com uma regra sob suspeita e rejeitada publicamente pela maioria do pleno do STF. Eu acuso ministros do STF de julgarem para a torcida e não em conformidade com a clareza do texto legal, pisoteando a Constituição Federal e o artigo 283 do Código de Processo Penal.
Eu acuso o TRF-4 de celeridade ideológica, tendo apressado o julgamento de Lula e a autorização em tempo recorde da sua prisão não por virtude, o que seria louvável, especialmente se a celeridade fosse padronizada, mas por paixão e ideologia. Eu acuso parte da sociedade brasileira de fomentar o ódio ideológico, usando o combate à corrupção como pretexto para a aniquilação do oponente. Eu acuso parte dos que fomentam o ódio ideológico a Lula de odiar principalmente as políticas sociais acertadas dos seus governos. Eu acuso o judiciário de ter apressado os seus ritos para tirar Lula das eleições de 2018 por sentir que ele seria eleito. Eu acuso o STF de legislar vergonhosamente, atropelando um legislativo acovardado e corrompido.
Eu acuso o judiciário de ter prendido Paulo Maluf, aos 87 anos de idade, para simular uma universalidade que não pratica de fato, pavimentando o caminho para a prisão de Lula. Eu acuso quem de direito de ter prendido o tucano Paulo Preto no mesmo dia em que deveria ocorrer o encarceramento de Lula para criar a ilusão de que não há seletividade e de que todos os procedimentos evoluem com o mesmo dinamismo. Eu acuso Moro de ter condenado Lula no caso Triplex sem provar qualquer contrapartida objetiva, direta, não genérica, com meios públicos, ao suposto favor recebido. Não defendo Lula, não sei se ele é inocente ou culpado, acuso os seus acusadores de não terem provado que as suas “provas” são boas provas. Acuso a elite brasileira de tolerar Temer no poder por ele ter oferecido, antes de praticar o seu golpe, a sua artimanha para chegar ao poder sem votos, um programa ultraliberal capaz de anular os avanços sociais da era Lula. Acuso a parte mais radical do elitismo brasileiro de querer conduzir o país de volta à escravidão, a escravidão por outros meios tecnológicos.
Eu acuso Moro de legislar. Acuso o STF de julgar sem princípios gerais, por conveniência, caso a caso, sem respeito à Constituição. Eu acuso o STF de consagrar o lugar comum: a constituição é o que ele diz que é, não o que nela está escrito. Eu acuso especialistas de dissimularem suas preferências ideológicas como discursos de autoridade, vomitando subjetividade com palavrório enganoso. Eu acuso parte do Brasil de promover uma vingança contra o intruso, o “quatro dedos”, o retirante, o “analfabeto”, o “menas”, o operário que governou, em muitos aspectos, melhor que os bacharéis, tendo produzido, apesar da limitação dos seus feitos, das contradições, dos erros e dos delitos no seu entorno, um dos melhores, ou menos piores, períodos para a parte menos aquinhoada deste país de canibais. Eu acuso as instituições do dispositivo policial-judicial de consagrarem um novo ditado: mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um grande tucano ser preso. Logo haverá exceção para confirmar a regra. Eu acuso parte da mídia, sempre tão falsamente sensata, de querer tirar de Lula até o direito de se sentir injustiçado. Eu acuso os paneleiros de seletividade ideológica e indiferença à corrupção.
EVANDIR: A síntese...
Lula nos braços do povo!
Moro e Cármen Lúcia estampados na comemoração num puteiro de luxo da elite paulistana!

Precisa explicar??
De que lado estou?
O que ficará para a história?

Síntese da semana que se passou 5

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Magnífico texto de Caroline Arcari. EXEMPLAR. A PARTIR DE UM CONTATO COM A DURA REALIDADE:

Depois desses dias lamentáveis senti que precisava escrever. Não só porque sou escritora (rs), mas porque recebi muitas mensagens inbox questionando meu posicionamento político: desde comentários indignados, memes irônicos, violentos até xingamentos dos mais diversos.
Escrevo mais pra aliviar meu coração do que pra prestar contas àqueles que me escreveram com tanta indelicadeza e ódio.

Eu nasci num berço privilegiado. Tive uma educação conservadora, fui evangelizada nos preceitos do espiritismo, estudei nos melhores colégios particulares de Curitiba e casei com um médico aos 19 anos. Fui bela, recatada e do lar. Votei no Serra. Achava que o sistema de cotas era vitimismo. Falava que era feminina, jamais feminista. Repetia a máxima: não dê o peixe, ensine a pescar. Já achei Bolsa Família uma máquina de produzir pobres preguiçosos. Já fiz piada sobre nordestinos e baianos e já acreditei em "racismo reverso". Também já falei que sucesso escolar dependia de escolhas e levantava a bandeira da meritocracia como se ela fosse um mecanismo das leis da natureza, simples assim. Nos almoços de família, sentia minhas teorias sobre a "grande mudança social" validadas por pessoas que pensavam como eu. Os churrascos eram agradabilíssimos.

Um belo dia, aceitei uma proposta de trabalho, lá no interior de Goiás, para fundar e administrar um projeto social que atendia crianças e adolescentes da periferia de Rio Verde. Foi a primeira vez que aquelas teorias vociferadas no churras de domingo foram postas à prova. Era o meu momento de mostrar pro mundo que, com 27 anos, eu sabia exatamente o que estava fazendo. Bom, eu não sabia. E como não temos uma temporada da Netflix pra desenvolver esse post aqui, basta dizer: MINHAS TEORIAS CAÍRAM POR TERRA.

Caíram por terra quando um aluno recém chegado da Paraíba com uma vontade enorme de estudar era obrigado a entregar drogas na vizinhança sob ameaça de que suas irmãs seriam estupradas se ele não o fizesse - a polícia fazia parte do esquema - descobri que esforço pessoal não era o problema desse garoto.

Caíram por terra quando eu encaminhei alunos pra estágio de jovem aprendiz e, de um grupo de 4 adolescentes, somente o menino negro não conseguiu entrar, apesar de ter competências muito semelhantes às dos colegas. Caíram por terra quando um aluno (veja só, também negro) desapareceu pq foi trancado E ESQUECIDO numa sala de aula como método corretivo por não ter copiado a tarefa de matemática - descobri que o racismo é um fenomeno estrutural e institucionalizado e que as especificidades da população negra exigem políticas de ação afirmativa, como as cotas, que tentam diminuir as desigualdades e restituir direitos negados há seculos.

Caíram por terra quando eu dei colo pra uma menina que só dormia em sala de aula e com péssimo rendimento escolar porque ela fazia todo o trabalho doméstico para os homens da casa, além de ser abusada sexualmente pelo avô todas as noites - descobri que a violência contra meninas é uma questão de gênero e que o olhar feminista é imprescindível para entender e enfrentar esse fenômeno.

Caíram por terra quando eu soube que nenhuma das famílias atendidas havia parado de trabalhar para receber 90 reais de Bolsa FAmília, mas que esse valor era muito importante para complementar a renda no mês - descobri que as exigências educacionais e as condicionalidades na área da saúde eram cumpridas pelas famílias - criança na escola, vacinas em dia e acompanhamento do crescimento no posto de saúde.

Caíram por terra quando fui no hospital visitar 2 alunos, irmãos, negros, atingidos por bala perdida, um deles ficou paraplégico - descobri que jovens negros são exterminados, EXTERMINADOS no Brasil.

Caíram por terra quando minha aluna mais querida caiu nas garras da exploração sexual e passou a cometer delitos, na tentativa de fugir dos abusos que sofria de todos os homens da família dela.

Foram 10 anos de Escola de ser. E foi lá que eu conheci um pouco do mundo como ele é. É muito fácil defender uma visão política toda trabalhada na meritocracia e bem estar individual quando você faz três refeições por dia, tem casa própria, um salário razoável e uma boa perspectiva de futuro. Eu já estive nesse lugar e me sinto profundamente constrangida por isso.

Não sou especialista em Sociologia, Economia, Política e Direito, mas hoje meu posicionamento político é baseado na minha experiência profissional e em todas as leituras que dedico para entender o cenário político atual, de grandes e renomados estudiosos, juristas, pensadores, assim como me interessa ouvir o que as minorias constantemente atingidas pela desigualdade social têm pra falar e reivindicar. Não me sinto a dona da verdade por isso, mas entendo que esse esforço me aproxima de uma visão de mundo mais coerente, realista, responsável e conectada com o coletivo.

O Brasil tem uma história colonialista, escravocrata, conservadora, militarista que mostra uma inclinação antiesquerdista predominante, da qual eu quero distância, nem que isso custe os churrascos de domingo, uma vida mais solitária (porém mais coerente) e xingamentos inbox.

E embora eu não santifique Lula nem venere o PT, eu sou de esquerda. ESQUERDA. Nesse contexto, desde o impeachment de Dilma à prisão de Lula, repudio todo o processo que culminou num golpe que flerta com a ditadura, num despotismo judicial concretizado numa condenação sem provas e na constante ameaça ao Estado democrático de direito.

Eu reafirmo a minha posição: SOU DE ESQUERDA.

Síntese da semana que se passou 4

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Mensagem do professor Boaventura de Sousa Santos ao presidente Lula:
Querido Presidente Lula, que magia é a sua para ser hoje o garante da democracia brasileira, o simbolo de esperança para milhoes de brasileiros que gritam o seu nome por todo o pais e em muitas cidades estrangeiras? Que magia é essa para com tanta coragem e no meio de tanto sofrimento pessoal dar essa extraordinaria lição de dignidade e de humanidade? A resposta é bem facil: a sua simplicidade, querido Presidente, é tão grande que os seus algozes subestimaram a grandeza que ela transporta. Ja eram pequenos agora sao minusculos e assim ficarao para a historia, a historia em que o Senhor ja brilha e brilhará.
Um abraço comovido e muito amigo. Boaventura.

Síntese da semana que se passou 3

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NÃO HÁ CADEIA SUFICIENTE PARA LULA
Texto do um professor da UNB - Perci Coelho de Sousa

Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
Que antes não tinham o que comer
Não cabe a transposição do São Francisco
Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
Levar água, com quinhentos anos de atraso,
Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
Pela primeira vez na história desse país.
Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
O sorriso do menino pobre
A dignidade do povo pobre e trabalhador
E a esperança da vida que melhorou.
Ainda vai faltar lugar
Para colocar tanta Universidade
E para as centenas de Escolas Federais
Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
Não cabem na cadeia de Lula
Os estudantes pobres das periferias
Que passaram no Enem
Nem o filho de pedreiro que virou doutor.
Não tem lugar, na cadeia de Lula,
Para os milhões de empregos criados,
(e agora sabotados)
Nem para os programas de inclusão social
Atacados por aqueles que falam em Deus
E jogam pedras na cruz.
Não cabe na cadeia de Lula
O preconceito de quem não gosta de pobre
O racismo de quem não gosta de negro
A estupidez de quem odeia gays
Índios, minorias e os movimentos sociais.
Não pode caber numa cela qualquer
A justiça social, a duras penas, conquistada.
E se mesmo assim quiserem prender
– querer é Poder (judiciário?),
Coloquem junto na cadeia:
A falta d’água de São Paulo,
E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
O patrimônio dilapidado.
E o estado desmontado de outrora
Os 300 picaretas do Congresso
E os criadores de boatos
Pela falta de decência
E a desfaçatez de caluniar.
Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.

O complexo de vira-latas também não cabe.
Nem as panelas das sacadas de luxo
O descaso com a vida dos outros
A indiferença e falta de compaixão
A mortalidade infantil
Ou ainda (que ficou lá atrás)
Os cadáveres da fome do Brasil.
Haja delação premiada
Pra prender tanta gente de bem.
Que fura fila e transpassa pela direita
(sim, pela direita)
Do patrão da empregada, que não assina a carteira
Do que reclama do imposto que sonega
Ou que bate o ponto e vai embora.
Como poderá caber Lula na cadeia,
Se pobre não cabe em avião?
Quem só devia comer feijão
Em vez de carne, arroz, requeijão
Muito menos comprar carro,
Geladeira, fogão – Quem diz?
Que não pode andar de cabeça erguida
Depois de séculos de vida sofrida?
O prestígio mundial e o reconhecimento
Teriam que ir junto pra prisão
Afinal, (Ele é o cara!)

Os avanços conquistados não cabem também.
Querem por Lula na cadeia infecta, escura
A mesma que prendeu escravos,
‘Mulheres negras, magras crianças’
E miseráveis homens – fortes e bravos
O povo d’África arrastado
E que hoje faz a riqueza do Brasil.
Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
Trancafiado nos porões da ditadura
Aquela que matou tanta gente,
Que tirou nossa liberdade
A mesma ditadura que prendeu, torturou.
Quem hoje grita nas ruas
Não gritaria nos anos de chumbo
Na democracia são valentes
Mas cordatos, calados, covardes
Quando o estado mata, bate e deforma.
Luis Inácio já foi preso,
Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.
Não vão prender Lula de novo
Porque na cadeia não cabe
Podem odiar o operário
O pobre coitado iletrado
Que saiu de Pernambuco
Fugiu da seca e da fome
Pra conquistar o Brasil
E melhorar a vida da gente
Mas não há
Nesse mundão de meu Deus
Uma viva alma que diga
Que alguém tenha feito mais pelo povo
Do que Lula fez no Brasil.
“Não dá pra parar um rio
quando ele corre pro mar.
Não dá pra calar um Brasil,
quando ele quer cantar.”
Lula lá!

EVANDIR: Não cansei ainda...
Mas no momento não consigo ter pena de pobre de direita!!

Síntese da semana que se passou 2

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CARTA AOS FACISTAS
Depois do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual foi negado o habeas corpus ao ex-presidente Lula, a cantora Ana Cañas desabafou e publicou em sua página no Facebook um texto com o título: “Carta aos fascistas”. Acompanha na íntegra:

Vocês não têm ódio da corrupção.
Suas panelas jamais clamaram por justiça verdadeira.
Vocês têm ódio mesmo é do Lula, do ser humano, do espírito – e de tudo que ele representa, da pobreza ter diminuído como nunca antes nesse país, de pretos, pobres, índios, quilombolas, mulheres e favelados (como dizia Marielle), terem avançado.
Lendo os comentários de vocês, percebo o nível da ignorância, da agressividade e do ódio perpetrados no coração de todos os que defendem a ‘guilhotina’ da corrupção.
Hipocrisia.
Pois se assim fosse estariam agora clamando igualmente para que os processos – que foram ENTERRADOS – de Alckmin, Aécio e Serra fossem levados ao mesmo circo da lava-jato.
Mas não.
Vocês sabem que isso não acontecerá jamais.
Vocês sonham em ser governados pelos fascistas.
Vocês SÃO fascistas.
Não querem o fim da corrupção.
Querem a cabeça da democracia.
A cabeça de Luiz Inácio, o homem que governou para quem mais precisava na história desse país. E isso, ninguém pode negar.
A ignorância não quer conversa, diálogo.
Ela entra, atira, mata.
Além de Cunha, Temer e os militares, o acordão de Jucá sempre envolveu o Judiciário.
“com o Supremo, com tudo”.
A voz que sentenciou Lula ontem, absolveu Aécio.
Uma outra juíza que ontem desejou prisão em segunda instância, há dois anos atrás,
Foi contra.
Lula foi condenado sem provas.
Alguns me acusam de mitômana, me chamam de burra, vadia, torpe, de tudo que possam imaginar.
Eu, que não ofendi ninguém, apenas expressei minha opinião de maneira respeitosa e livre, pois ainda podemos.
Mas a violência do fascismo desconhece limites.
Aos que defendem a intervenção militar ou para quem, ainda, pretende votar no Bolsonaro – candidato racista, homofóbico, misógeno…
A todos vocês, meu pedido final de clemência por sabedoria, informação, por fraternidade no coração, por compaixão, generosidade, iluminação e amor.
Sim, eu sei.
Ingenuidade a minha.
Não se conversa com um fascista.
Não se convence um fascista de que ele está equivocado.
A um fascista, resta a história que, comprovadamente, nos faz ouvir a sua voz, assassina:
Morte à tudo que floresce.
Morte à tudo que esclarece.
Morte à tudo que nos leve
Além.

Síntese da semana que se passou 1

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Bom dia mulheres e homens do meu país! Não sou muito de escrever... Mas Lula me inspirou escrever até, quem sabe, um livro. Aprendi que Lula não é um mito... pode ser eu ou vc. Somos TODAS e todos Lula, com mais ou menos intensidade... vendo o último discurso dele, antes de se apresentar para a polícia em Curitiba, percebi o quanto um simples ser humano com sua linguagem acessível a qualquer cidadã ou cidadão que por ventura não tenha conseguido estudar  e ter uma formação universitária e que com sua simplicidade arrebata militantes que mesmo levando gás de pimenta e bombas de efeito moral que ferem partes do corpo, continuam na obstinação de lutar pela democracia. Sim este é nosso único objetivo mesmo que a rede golpe diga e mostre imagens alienantes todos os dias nas casas e onde QUER que vc vá ta lá a rede golpe enganando a população. Por isto o nojo que sinto por estes meios de comunicação e insisto em que não devemos alimentar e dar audiência a quem sempre apoiou e estimula todos os golpes contra nós, trabalhadoras e trabalhadores. Por isto peço, encarecidamente, desliguem a rede globogolpista, aliás nem liguem... vamos nos informar por outros meios. Um grande abraço: Goretti ( Lula).

Síntese da semana que se passou

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ROSÁRIO SER: Repassando

Carta enviada ao Presidente Lula por ocasião das manifestações de Porto Alegre. Achei importante divulgá-la agora, diante do recrudescimento das agressões: “Se nos calarmos as pedras gritarão!”
Leador Machado -Juiz do Trabalho(leadormachado@gmail.com).

Presidente Lula, hoje sou juiz do trabalho, mas já fui metalúrgico, especificamente torneiro mecânico, sua profissão. Entre 1977 e 1979 eu estudava mecânica geral no Senai. Após terminar o curso, passei a trabalhar como torneiro na Metalúrgica São Jorge, em Gama-DF. Nesse mesmo período o senhor enfrentava os patrões e a ditadura nas mobilizações dos trabalhadores no ABC paulista. Recebia informações do movimento de resistência do ABC através do jornal “O São Paulo” da arquidiocese dirigida pelo saudoso Dom Paulo Evaristo Arns, pois eu era ativo na Pastoral da Juventude também.

Vendo tua experiência e tua luta resolvi ingressar no movimento social e participei da organização de associações de moradores e do PT da minha cidade, participando de todas as lutas a partir de então, especialmente da campanha das diretas já, da constituinte e da sua eufórica campanha de 1989. Percebendo que, tanto na associação de moradores quanto no partido, sempre que precisávamos de advogado, tinha que ir atrás de favores, resolvi me preparar para tentar vestibular e fazer curso de direito. Nessa época já era servidor público, técnico em radiologia. Terminei o curso em 1993 e trabalhei como advogado Trabalhista e para o PT, na condição de militante, como advogado nas eleições a partir de 1994. Nesse ano, Como ganhamos a eleição no DF, trabalhei na câmara legislativa e na direção secretaria de saúde. Ao perdermos a eleição em 1998 voltei para o cargo técnico, montei um escritório e foi eleito presidente do PT da minha cidade. Foram tempos difíceis pois a derrota no governo nos deixou muito fragilizados. Mas reerguemos o partido. Na sequência, para a eleição seguinte, eu percebia uma política de alianças que, a meu sentir, não atendia aos princípios partidários que entendia deveriam prevalecer. Comecei a me afastar, mas ainda advoguei na tua eleição em 2002. Sai do partido sem ter tido a honra de conhecê-lo pessoalmente.

Nessa época já tinha decidido estudar para fazer concurso para juiz. Pensava que se um metalúrgico, imigrante nordestino, pobre, filhos de gente simples, conseguiu ser presidente eu conseguiria ser juiz.

O ambiente experimentado era de liberdade e democracia. As possibilidades se abriram. O acesso à universidade e aos cargos se fizeram de forma mais transparente. Já não tinha tanta importância sua origem social. Os preconceitos não eram tantos, ou estavam adormecidos. Enfrentei alguns mas não tenho dúvida que esse ambiente me favoreceu. Ingressei na magistratura Trabalhista em 2006 por concurso público e agradeço-lhe por isso.

O que está transparecendo hoje é que essa movimentação social não agradou à classe média desse país que passou a ter mais concorrência e não agradou à elite, pois os trabalhadores já não sabiam mais onde era o seu lugar e nem quais eram as obrigações. A casa grande e seus sabujos sentiram-se ameaçados. A mídia oligopólica e golpista fez o trabalho sujo.

Tenho convicção de que esse foi o grande crime que cometestes. O resto é pretexto. Não vou comentar as decisões que te condenaram por que já existem comentários de juristas e acadêmicos de renome que tornam o meu desnecessário. Mas não precisa ser jurista para concluir que não tem prova de ato criminoso ou de qualquer relação de vossa excelência com o imóvel no processo que te condenaram. Uma grande injustiça está sendo cometida e voltará como um bumerangue em quem o lançou.
Desde a estrada entre Porto Alegre e Tocantins, para onde me desloquei de moto para participar das manifestações pela democracia e contra perseguição à vossa excelência, concluo, Presidente Lula, dizendo que, hoje, tenho muito, mais muito orgulho mesmo, de ter iniciado minha vida profissional como torneiro mecânico. Já não tenho tanto orgulho assim, diante do atual comportamento do Poder Judiciário, de estar a terminando como magistrado.

Me recordo de uma frase que dissestes uma vez em Brasília: “filho de pobre não tem vocação, vai sendo aquilo que a vida permite que ele seja”. A vida até agora foi generosa conosco. Não sei se será tanto com nossos filhos e netos.
Tenho certeza, todavia, Presidente Lula, que teu martírio importará no surgimento de milhões de Lulas. Que as forças positivas do universo te protejam e o que o povo brasileiro saiba demonstrar sua indignação diante desse quadro bárbaro e insano. “Se nos calarmos, as pedras falarão.” (D. P. Casaldaliga).
Santa Catarina, 30.01.2018
Leador Machado - Juiz do Trabalho em Araguaína -TO.

leadormachado@gmail.com

Carta escrita por nosso companheiro, ex SERPAJ, hoje juiz do trabalho, Leador Machado.

Vamos  escrever MILHÕES de cartas para o Lula, mostrando o nosso apoio? Vamos lotar os correios! 📩

Superintendência Policia Federal
Para Luiz Inácio Lula da Silva
R. Profa. Sandália Monzon, 210 - Santa Cândida
Curitiba - PR
CEP - 82640-040

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Lula Imortalizado

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LULA IMORTALIZADO

Por Gustavo Conde

"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de "inteligência" nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.

Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana."