terça-feira, 28 de maio de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
Com novo decreto, general poderá escolher reitores de universidades federais | Revista Fórum
Com novo decreto, general poderá escolher reitores de universidades federais | Revista Fórum: Decreto assinado por Bolsonaro dá ao ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, a competência de vetar ou aprovar indicações para as reitorias de universidades federais, além de postos de segundo e terceiro escalão, retirando a autonomia universitária
sexta-feira, 10 de maio de 2019
As falsidades sobre a reforma da Previdência de SINPRO DF
Governo e mídia usam fake news e terrorismo para convencer e intimidar
população a aceitar reforma da Previdência
- Jornalista: Maria Carla
- 15 de abril de 2019
Está prevista para ser entregue, nesta terça-feira
(9), o parecer do relator da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Marcelo
Freitas (PSL-MG), sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019
(reforma da Previdência). O parecer é favorável à PEC que visa a fazer
profundas mudanças conceituais no Sistema de Seguridade Social, o qual é formado
pela Saúde, Assistência e Previdência Social.
O governo federal atua com fake news para manter a
população desinformada e até mesmo confusa sobre gastos e despesas da
Previdência Social. Omitem todos as informações reais sobre o Sistema de
Seguridade Social do qual a Previdência faz parte. Além de desinformar e
confundir, tentam também aterrorizar as pessoas para que elas pensem que a
Previdência está falida e que precisa de uma reforma que modifique sua
concepção solidária entre gerações.
A mídia trabalha diariamente para convencer a
população dessa reforma. Faz pressão de todo tipo e usa fake news para aliciar
os(as) trabalhadores(as) a fim de que ele se compenetre de que será beneficiada
com a PEC 06/2019. Outro terrorismo psicológico com a classe trabalhadora é
dizer que, se a reforma não for materializada, não haverá recursos financeiros
para aposentadoria no futuro e o desemprego irá aumentar.
Também ameaça os(as) brasileiros(as) ao dizer que
as oscilações do dólar e da Bolsa de Valores estão diretamente ligadas à falta
da reforma da Previdência. Insiste em convencer a classe trabalhadora de que,
se não houver reforma da Previdência, o Brasil não voltará a se desenvolver.
Nada disso é verdade. A diretoria colegiada do
Sinpro-DF alerta para o fato de que é justamente o contrário: não haverá
aposentadoria para todos se a reforma de Bolsonaro for aprovada e informa que a
reforma da Previdência não tem nada que ver com as oscilações do mercado
financeiro e muito menos com as variáveis econômicas denominadas de “emprego” e
“desemprego”.
“É importante as pessoas saberem que a mídia se
esforça para asseguram aos banqueiros a reforma da Constituição para abocanhar
os superávits da Seguridade Social. Não respeitam nada nem ninguém ao
divulgarem falsas notícias e análises mentirosas com argumentos dissimulados
para insuflar o terrorismo no país e as pessoas aceitarem a jogada do mercado
financeiro de privatizar o direito social à previdência social pública”,
alerta.
A diretoria lembra que a mídia atua agora, na
reforma da Previdência, como agiu na reforma trabalhista, dizendo que se a
reforma não fosse aprovada o desemprego iria aumentar e que, com a reforma
trabalhista o mercado de trabalho voltaria a ofertar emprego aos brasileiros.
As pessoas creram e o resultado é que a reforma trabalhista não gerou nenhum
emprego e destruiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), regredindo e
piorando em mais de 100 anos as relações trabalhistas no Brasil.
Emprego e desemprego não tem nada que ver com a
reforma da Previdência
Alexandre Sampaio Ferraz, economista, doutor em
ciência política e técnico do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) afirma que, diferentemente do anunciado pela
mídia, sobretudo pela Rede Globo, o desemprego do Brasil não tem nada que ver
com a reforma da Previdência.
Ele assegura que, ao contrário do que diz a mídia,
a relação entre o desemprego em alta no Brasil e a necessidade de se fazer uma
reforma da Previdência no Brasil é nulo. “Não tem relação entre a reforma da
Previdência e o desemprego porque o país teve um crescimento brutal do emprego
entre 2004 e 2014 em reforma da Previdência. A reforma feita em 2003 foi feita
para combater privilégios, que foi importante. Emprego e desemprego não têm
nada que ver com reforma da Previdência. Emprego e desemprego é uma variável
macroeconômica e tem que ver com o crescimento ou com a crise econômica”,
explica.
Reforma da Previdência não tem nada que ver com a
crise econômica e com o desemprego
Ao contrário do que diz a mídia, a crise econômica,
por sua vez, também não tem nada que ver com a reforma da Previdência. Uma
parte da crise econômica tem que ver com a crise de confiança que levou à crise
de investimentos no país, que tem que ver com alguns erros de política econômica
com a crise do capitalismo desde 2008.
“Nossa crise econômica, em parte, é fruto de coisas
como a Operação Lava Jato, o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Ela é
uma crise de confiança dos investidores. O país está à deriva, sem projeto e
não é a reforma da Previdência, assim como não foi a reforma trabalhista, que
vai gerar emprego no país”, afirma.
O economista diz que não é preciso fazer reforma da
Previdência para resolver o problema do desemprego, mas alerta para o
necessário monitoramento do Sistema de Seguridade Social e da Previdência.
Proposta de Bolsonaro para Previdência não corrige
distorções e deprecia baixos salários
“O país deve sim se preocupar, no futuro, com a
Previdência porque ela precisa de aperfeiçoamento constante. Se a situação
demográfica do país muda, é preciso repensar a Previdência. Mas isso não
justifica uma mudança profunda como esta proposta pela PEC 06/2019, de Jair
Bolsonaro, que desmonta a Seguridade Social”, alerta o economista.
Ele lembra que foi justamente para adaptar a
Previdência às novas realidades do país que o governo Lula fez uma reforma da
Previdência importante, em 2003, e também foi por isso que o governo Dilma
consolidou a reforma para os funcionários públicos da União em 2013. “Tudo
feito sem mexer na concepção e nem ameaçar de desmonte o Sistema de Seguridade
Social”.
Ferraz diz que “é preciso continuar pensando em
modificações que busquem corrigir os problemas da Previdência que o país possa
vir a ter. Mas isso não passa por nenhuma mudança do modelo previdenciário de
repartição solidário que temos no Brasil. Isso passa pelo combate dos
privilégios que, de fato, existem. Tem pessoas que aposentam com R$ 90 mil, R$
40 mil”, denuncia o economista.
Ele esclarece que a atual proposta de reforma da
Previdência não busca corrigir esse tipo de distorção. Ao contrário, busca
depreciar o benefício do trabalhador que ganha salário mínimo e que esteja na
faixa salarial entre R$ 1 mil, R$ 2 mil, R$ 8 mil, que não é o trabalhador
privilegiado. Ele observa que, antes de o governo ilegítimo de Michel Temer
executar a reforma trabalhista, políticos e empresários acusavam as leis que
defendiam a classe trabalhadora de serem as responsáveis pelo desemprego.
Após a reforma, ficou provado que não eram as leis.
Tanto é que nos governos Lula, com a CLT em pleno vigor, o desemprego caiu para
5,7% em relação ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que
chegou a 12,2% no fim do governo, bem como em comparação ao governo ilegítimo
de Temer, com 13,1%, e com o governo Bolsonaro, com 12,4% de desempregados no
país em março de 2019.
A "ilusão" dos economistas liberais de SINPRO DF
Fiori: a impotência dos economistas liberais
- Jornalista: Maria Carla
- 11 de abril de 2019
A produção declina, o desemprego volta a crescer,
os investimentos não voltarão tão cedo. Mas eles insistem na miragem “Reforma
da Previdência” – como se quisessem voltar a Pinochet, aos banhos de sangue, ao
fascismo de mercado.
“Quem diria que no começo do mandato de um governo
liberal ele iria sancionar subsídios e discutir a retomada de proteções
setoriais. Não é só a tarifa do leite, é a proteção de bens de capital”.
Marcos Lisboa, O Globo, 18/02/2019
Súbito, fez-se o consenso, e já não é mais possível
tapar o sol com a peneira: no primeiro trimestre de 2019, a economia brasileira
entrou em marcha forçada na direção do colapso. Em apenas três meses, o mercado
reduziu quatro vezes seguidas seu prognóstico com relação ao crescimento do PIB
de 2019, que caiu de 3% para 1.8%. E tudo indica que seguirá caindo, tanto que
o próprio mercado reconhece que não haverá retomada dos investimentos neste
ano, qualquer que seja a circunstância. Pelo Índice de Atividade Econômica do
Banco Central (o IBC-BR), a economia brasileira recuou 0,41% no mês de janeiro,
enquanto a produção industrial despencava 0,8% no mesmo mês, segundo o IBGE. No
acumulado do trimestre, o preço da gasolina subiu 28,3% e, no mês de março, a
produção de veículos caiu 6,4% com relação a fevereiro, enquanto a capacidade
ociosa da indústria química chegou a 25%, e a da economia brasileira ronda os
40%. A taxa de desemprego subiu de 11,6% para 12,4%, e o número de
desempregados chegou aos 13 milhões, com aumento de um milhão em apenas três
meses, numa economia que já tem 27,9 milhões de subempregados, em uma sociedade
que voltou a ter 21% da sua população abaixo da linha da pobreza. Por fim, as
receitas federais e o otimismo dos empresários e da população vêm caindo de
forma acelerada e contínua.
Tudo isto poderia ser apenas um soluço econômico,
mas não é. Na década de 2011 a 2020, a taxa média esperada do crescimento anual
da economia brasileira deverá ser de apenas 0,9%, segundo estudo publicado pelo
IBRE, da Fundação Getúlio Vargas. Uma taxa média menor que a da década de 80,
que foi de 1,6%, e por isso chamada de “década perdida”. Segundo esse mesmo
estudo do IBRE/FGV, o crescimento médio desta década deverá ser o pior dos
últimos 120 anos da história brasileira, implicando um empobrecimento anual dos
brasileiros na ordem de 0,3% do PIB ao ano. E não há no momento a menor
perspectiva de reversão deste quadro, com a taxa de investimento da economia
brasileira girando em torno dos 15,5%, taxa muito inferior à do Chile ou do
México, que está na casa dos 20%, e muitíssimo inferior à taxa de investimento
de alguns sócios brasileiros do BRICS, como é o caso da China, que investiu
44,18% do PIB em 2018, ou mesmo da Índia, que investiu 31,4% no mesmo período,
segundo dados do FMI.
Uma situação que fica ainda mais difícil para o
Brasil, num momento em que o mercado mundial de bônus vem caindo, sobretudo no
caso dos bônus do governo alemão e dos títulos do tesouro norte-americano,
tornando os investidores internacionais cada vez mais reticentes, apesar do
afrouxamento da política monetária do BCE e do FED. O economista Lawrence
Summers, ex-secretário do Tesouro norte-americano, considera que a economia
mundial está entrando num longo ciclo de “estagnação global”, enquanto outros
economistas falam do descenso de mais um ciclo de Kondratiev, mas a
consequência é a mesma: para sair do buraco nessa conjuntura internacional, o
Brasil terá que contar com seus próprios recursos e estímulos, para poder
crescer de maneira contínua, a taxas de 3 e 4%, em um período de pelo menos 5 a
10 anos. É a única forma de absorver a capacidade ociosa e eliminar o
desemprego, retomando o caminho do crescimento indispensável para que uma
economia “atrasada” ou “imatura” consiga vencer sua miséria, reduzir sua
desigualdade social e participar, em igualdade de condições, da competição
entre as nações pela riqueza mundial.
Para enfrentar esse desafio, os economistas
liberais têm uma proposta simples e recorrente: reformar a Previdência,
privatizar empresas estatais e fazer reformas institucionais que abram e
desregulem os mercados. Com relação à proposta de privatização da Previdência,
balanço recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT) constata que dos
30 países que fizeram a mesma reforma, entre 1981 e 2014, 18 já voltaram atrás
em decorrência do fracasso de seus novos sistemas de capitalização, iguais ao
que está sendo proposto no Brasil. E a própria reforma chilena, que foi
concebida pelo economista José Piñera, do grupo dos Chicago Boys, e depois
imposta por decreto ditatorial do General Pinochet em 1981 (ou seja, oito anos
depois do golpe militar de 1973), hoje vem sendo questionada de forma cada dia
mais agressiva, por uma verdadeira massa de idosos, pobres ou miseráveis,
frustrados com os resultados desastrosos do novo sistema.
De qualquer maneira, independentemente do seu custo
social e do seu verdadeiro impacto fiscal, o que importa destacar é que a
privatização da Previdência não tem, nem nunca teve, nenhuma conexão direta com
a taxa de investimento da economia, e portanto também não tem nenhuma
capacidade de induzir crescimento econômico. E tudo o que os economistas
liberais dizem sobre este assunto envolve uma especulação mágica e psicológica
sobre as “expectativas dos investidores”, que não tem nenhuma base teórica nem
evidência empírica, inclusive porque os “investidores” já podem ter perdido sua
“confiança” e seu “interesse” na “sobre-oferta” mundial de reformas da
Previdência. Por outro lado, a privatização das demais empresas estatais só
gera recursos do tipo once for all, e não garante nenhum tipo de
investimento posterior dentro da economia brasileira.
O mesmo pode ser dito com relação às demais
“reformas” de que falam os economistas liberais, visando desregular e abrir os
mercados. Qualquer economista, de qualquer tendência teórica, sabe que nenhuma
dessas reformas irá reacender, por si mesma, o “animal spirit” dos
investidores, capaz de recolocar a economia brasileira na trilha do
crescimento. Deste ponto de vista, é bom olhar para a experiência recente da
Argentina de Mauricio Macri, que depois de três anos adotando políticas
ortodoxas e reformas liberais – incluindo a reforma da Previdência – teve um
crescimento negativo do PIB de 2,5% em 2018, e tem uma previsão de queda de
3,1% para 2019. Um resultado desastroso, que se soma a uma taxa de inflação que
está na casa dos 47%, com um desemprego de 9,1 % e com 32% da população
argentina situada abaixo da linha de pobreza.
Nada disso, entretanto, parece atingir ou afetar a
inabalável crença dos economistas liberais, no cálculo utilitário do homo
economicus, na existência de mercados abertos e desregulados, e na
possibilidade de separar a economia capitalista do poder do Estado. É quase
impossível para um economista liberal entender e aceitar que a economia envolve
relações sociais de poder, e é parte de uma luta pela riqueza entre as grandes
corporações e os grandes Estados nacionais. Os economistas liberais raciocinam
como se estivessem no ponto zero da história, dentro de uma economia homogênea
e com atores equipotentes quando, de fato, vivem numa sociedade que já é, de
partida, desigual e heterogênea, envolvendo interesses econômicos e sociais
excludentes e conflitivos. E tudo isto dentro de um sistema internacional em
que os grandes Estados se valem de suas economias nacionais como instrumentos
na sua luta pelo poder e a riqueza internacionais.
Dentro deste pensamento abstrato e irreal dos
economistas liberais, é um grande passo teórico e um avanço realista a
redescoberta da teoria estatal da moeda, de Georg Knapp, com o reconhecimento
da relação indissolúvel entre o poder e a moeda – mesmo quando seja necessário
acrescentar ao raciocínio de Knapp que a autonomia econômica dos Estados com
relação ao manejo de suas próprias moedas também depende da sua posição dentro
da hierarquia mundial do poder político e militar. Mas este já seria outro
assunto e outra discussão.
Por isso voltemos ao ponto central do nosso
argumento quanto à impotência da resposta dos economistas liberais frente ao
desafio que o Brasil está enfrentando neste final da segunda década do século
XXI. Do nosso ponto de vista, como já dissemos, os economistas liberais partem
de premissas teóricas que desconhecem a complexidade do mundo real, nacional e
internacional, e defendem um pacote de “reformas” que não leva em conta a
heterogeneidade dos interesses e as hierarquias de poder que separam e
contrapõem os capitais individuais e as classes sociais e, finalmente, propõem
políticas e medidas que não foram concebidas para promover o crescimento
acelerado de países “atrasados” ou “imaturos”. Isso talvez ajude a entender por
que os empresários e economistas liberais sejam sempre os primeiros a ser
chamados, mas sejam também os primeiros a ser dispensados pelos governos
brasileiros que nasceram dos golpes militares – de 24 de outubro 1930, de 19 de
novembro de 1937, de 29 de outubro de 1945, de 24 de agosto de 1954 e de 31
março de 1964.
No sentido inverso, talvez também sejam essas
mesmas recorrências históricas do passado que expliquem a paradoxal admiração
contemporânea de alguns economistas liberais brasileiros pelo Sr. Augusto
Pinochet, a figura por excelência de governante violento, ignorante e corrupto,
que se dedicou durante 15 anos à eliminação física de seus adversários e de
toda a atividade política dissidente do seu país. Um verdadeiro “banho de
sangue” que permitiu, em última instância, que os Chicago Boys chilenos
pudessem impor ditatorialmente suas políticas e reformas, por cima de 3 mil
pessoas mortas e mais 20 mil chilenos torturados, em nome do regime que outro
economista norte-americano, Paul Samuelson, chamou de “fascismo de mercado”.
quarta-feira, 8 de maio de 2019
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Discurso anti-esquerda de Bolsonaro é o mesmo dos nazistas, aponta historiador alemão | Revista Fórum
Discurso anti-esquerda de Bolsonaro é o mesmo dos nazistas, aponta historiador alemão | Revista Fórum: Em entrevista à Fórum, o historiador alemão Thilo F. Papacek desconstrói a falácia de Bolsonaro de que o nazismo era um movimento de esquerda, explica as origens do termo 'nacional socialismo' no partido de Hitler e revela que na Alemanha o presidente brasileiro é visto como um político de extrema-direita: 'Nesse sentido ele é muito mais semelhante aos nazis'
quarta-feira, 6 de março de 2019
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
Blog do Rovai - Lula só sai da cadeia morto ou resgatado pelas ruas | Revista Fórum
Blog do Rovai - Lula só sai da cadeia morto ou resgatado pelas ruas | Revista Fórum: A institucionalidade pura é o caminho do abismo nos dias de hoje. Apostar apenas nela levará ainda muitos outros líderes a terem o mesmo destino de Lula
Mural com desenho de Mandela é apagado em escola militarizada no DF | Revista Fórum
Mural com desenho de Mandela é apagado em escola militarizada no DF | Revista Fórum: Frase do ex-presidente da África do Sul também foi coberta com tinta branca e direção alega que medida foi uma solicitação da Polícia Militar
quarta-feira, 12 de dezembro de 2018
CRÍTICA DA RAZÃO TUPINIQUIM Roberto Gomes
Divulgando...
Boa
tarde povo!
Voltamos!
Dia
de Pensamento Inquieto! Continuamos com os textos anunciados na primeira
postagem. Os mesmos serão divididos em várias postagens pra facilitar a
leitura.
Obs.:
Lembrando que temos uma novidade! Se você estiver sem tempo para ler o texto, a
partir de agora disponibilizaremos um link para que você possa ouvir o texto
sintetizado em MP3 (Haverá alguns sotaques visto que são sintetizadores
estrangeiros)! O(s) Link(s) estará(ão) sempre entre o primeiro e o segundo
parágrafo do texto postado.
Degustem!
GUETO
DO PENSAMENTO INQUIETO
Área
de Conhecimento: Ciências Humanas – Filosofia: CRÍTICA DA RAZÃO TUPINIQUIM
Roberto
Gomes - (Blumenau, Santa Catarina, 1944) é radicado em
Curitiba desde 1964, onde construiu toda sua carreira de escritor, professor de
filosofia e editor. Sua obra é composta de ensaios, contos, crônicas, romances
e literatura infantil. Sua Crítica
da razão tupiniquim, de 1977, um mergulho no pensamento brasileiro,
já apresentava seu modo de tratar temas graves com leveza, demolindo miragens.
É constante na sua obra a abordagem de temas como a educação, a formação do ser
humano, as estruturas de poder, o conflito de gerações. Estreando na ficção com
Alegres memórias de um
cadáver (1979), e com seu último romance, Os dias do demônio (1995),
em uma mescla de ficção e pesquisa histórica, aproxima-se do épico.
GOMES, Roberto. Crítica da
Razão Tupiniquim (9ª Ed.). Curitiba, Criar Edições. [s/d/1987].
[Resumo – Contra
Capa]
“Filosofia é dar-se
conta da filosofia.
Dando razões de sua
existência e assumindo os
riscos seguintes. Ela
não tem qualquer importância
que possa se impor a
mim antes do momento em que eu
me importe. Ao darmos a
existência da filosofia como
óbvia, ela se vê
transformada em sistema acabado, ao modo
de um arquivo de
primeiros socorros existenciais. Se
dou sua importância
por suposta, a tarefa do pensamento
se empobrece,
reduzindo-se à busca de um bom
ajuste entre fórmulas
e modelos, estruturas e conceitos,
mais ou menos como me
comporto diante da
necessidade de
cumprir à risca uma receita de bolo.”
Obs.: A numeração de páginas da presente ‘versão’ não tem nenhuma
relação com as edições oficiais desta obra! Por isso estarão referenciadas no
início de cada capítulos como: pp. O. numeração da edição original; e V. da
atual versão (pp.
O: 9 a 12 V: 2 a 5).
QUESTÕES PARA RELFEXÃO –
Para todo o livro
Quais
seriam os resultados ‘funestos’ da nossa condição de colonizados e de
dependentes política-econômica-culturalmente na vida e na história do nosso
país? Porque o nosso pensar e agir político-cultural nos levou às situações
históricas pelas quais passamos – especialmente à atual? O que tem/teria a ver
o nosso ‘modus vivendi’ com a nossa condição de explorados e oprimidos pelas
ditas ‘nações desenvolvidas’ – enquanto país –, e pelas nossas elites –
enquanto classes pobre e trabalhadora? Teria a mídia corporativa algum papel
nessa construção aparentemente um tanto “desorganizada” do nosso pensar?
Na presente obra o autor explora os porquês da não
existência de um pensar (filosofia) brasileiro autêntico, destacando que as
nossas construções acerca do real tem como único objetivo ser “ornamento e
prenda” e não a transformação deste real. Destaca também alguns dos nossos
mitos: o jeito, a concórdia, etc. que têm como base o ecletismo (posição filosófica
que assumimos quase desde sempre e que não conformou apenas uma ‘forma de
pensar’ e sim, “uma visão de mundo” que nos impede sermos nós mesmos) e na
razão afirmativa – fruto do positivismo – que nos impede de ‘negar’ a realidade
circundante a fim de apreendê-la, conhecê-la melhor e transformá-la.
Aparentemente as críticas do autor à nossa razão (razão
tupiniquim) é generalizada pra toda a nação (todo o povo), isto por causa de
algumas afirmações feitas. Entretanto, a crítica é dirigida aos ditos ‘intelectuais’,
à nossa intelectualidade, pois o mesmo afirma que ‘no povo, em suas vidas e nas
suas mais variadas manifestações’ estaria (ou poderia estar) a verdadeira fonte
de conhecimentos que nos possibilitaria “inventar” uma razão nossa, ou seja,
uma razão tupiniquim.
“Talvez seja impossível o tema deste livro, embora seu
título possa ser até sugestivo. Não é
fácil escrever sobre algo que só existirá caso seja inventado. Uma Razão
brasileira, não existindo atualmente, precisaria antes do mais se providenciada,
vindo à tona. Então, das duas uma: ou este livro não pode ser escrito ou será uma tentativa
de “inventar” esta Razão, seguindo vestígios esparsos no romance, na poesia, na
música popular e até – pois é capaz de que mesmo aí transpareça –
nalguns livros de filosofia.”
I.
UM TÍTULO – INTRODUÇÃO (pp. O: 9 a 12 V: 3 a 6)
Tudo
o que eu digo, acreditem, teria mais solidez se em vez de carioquinha eu fosse
um velho chinês.
Millôr
Fernandes
(Papáverum
Millôr)
QUESTÕES
PARA RELFEXÃO
O
que pode significar isso: Razão Tupiniquim? (...)
Conseguimos
rir de tudo. Do governo que cai e do governo que sobe. Das instituições que
deveriam estar a nosso serviço, dos dirigentes que deveriam representar nossos
interesses. (...)
Creio que a existência de uma piada tipicamente
brasileira deveria ser objeto de estudo mais aprofundado.
Possuirá características específicas? Que atitudes básicas revela? Uma saudável
maneira de suportar um existir humilhado? Um modo de estar acima daquilo que
amesquinha nosso dia a dia? (...)
Talvez
uma posição existencial muito nossa. O riso – um certo tipo de riso, o
nosso – nos salva, tiraniza o tirano, amesquinha quem nos tortura, exorciza
nossas angústias. Não creio, aqui de meu ponto de vista brasileiro – e que
outro ponto de vista poderia importar? – que pudéssemos ter feito melhor.
Há um perigo, porém. Sempre há um perigo. A mesma piada que salva pode mascarar-se em
alienação. Como qualquer criação humana, também a piada deve ser
essencialmente crítica, já que é de sua pretensão ser isso: uma forma de
conhecimento. Ora,
quando o riso se perde em pura facilidade, em distração, morre a atitude
crítica. E o “jeito piadístico” estará a serviço de nossa inautenticidade
[alienação]. Há indícios, entre nós, de tal coisa: deixar como está pra
ver como é que fica; não esquentar a cabeça [“quem esquenta a cabeça é palito
de fósforo, e morre queimado”]; analisa não; dá-se um jeito [“o que não tem
remédio, remediado está”]. (...)
Desconhecendo-se, mal
sabendo de uma Razão Tupiniquim, o brasileiro aliena-se de dois modos: rindo de
sua sem-importância ou delirando em torno do “país do futuro”, em variados
“anauês”.
O que pode significar isso: Razão Tupiniquim? Tratando-se
de título de um livro, supõe-se que denuncie um tema. Ocorre que este tema
jamais foi explicitado, não existindo. Fácil
constatar que entre nós esta Razão estará adormecida ou pulverizada em mil
manifestações que seria problemático reunir num único nó com a virtude da
síntese.
Talvez seja impossível o tema deste livro, embora seu
título possa ser até sugestivo. Não é
fácil escrever sobre algo que só existirá caso seja inventado. Uma Razão
brasileira, não existindo atualmente, precisaria antes do mais se
providenciada, vindo à tona. Então, das duas uma: ou este livro não pode
ser escrito ou será
uma tentativa de “inventar” esta Razão, seguindo vestígios esparsos no romance,
na poesia, na música popular e até – pois é capaz de que mesmo aí
transpareça – nalguns livros de filosofia.
Mas estas alternativas devem ser rejeitadas. Primeiro, me
é impossível não escrever este livro. Segundo, é absurda a pretensão de
“inventar”, aqui, seu tema. Outra será sua pretensão.
Partamos de algo pacífico: mal sabemos o que seja uma Razão Tupiniquim. Uma piada, talvez.
Hipótese que nos causaria grande prazer. Gostamos muito de piadas. Há todo um espírito
brasileiro que se delicia com a própria agilidade mental, esta capacidade de
ver o avesso das coisas revelado numa palavra, frase, fato. Somos,
os brasileiros, muito bem humorados. Conseguimos rir de tudo. Do governo que
cai e do governo que sobe. Das instituições que deveriam estar a nosso serviço,
dos dirigentes que deveriam representar nossos interesses. E não é só. Chegamos
a fazer piadas sobre nossa capacidade de fazer piadas. Nada mais ilustrativo do
que a série de piadas onde representantes de outros países são ridicularizados
pelo desconcertante “jeitinho” de um
brasileiro. Neste plano, seja dito, nos movemos com facilidade gritante.
Desta atitude
seria útil extrair o avesso. Embora tenhamos uma imensa mitologia construída em
cima de nosso jeito piadístico, no momento de pensar não admitimos piada.
Queremos a coisa séria. Frases na ordem inversa, palavras raras, citações
latinas – e é impossível qualquer piada em latim, creio. Isto criou situações
constrangedoras, como as fúteis críticas sérias a Oswald de Andrade, acusado
de mero piadista. Estranha gente, esta. Gaba seu inimitável jeito piadístico,
mas na hora das coisas “culturais” mergulha num escafandro Greco-romano.
Creio que a
existência de uma piada tipicamente brasileira deveria ser objeto de estudo
mais aprofundado. Possuirá características específicas? Que atitudes
básicas revela? Uma saudável maneira de suportar um existir humilhado? Um modo
de estar acima daquilo que amesquinha nosso dia a dia? Talvez sim. Certamente
sim. Uns reagem com dramaticidade, tragédia e muito sangue – ocorreu-nos reagir
com o riso.
Talvez uma posição
existencial muito nossa. O riso – um certo tipo de riso, o nosso – nos
salva, tiraniza o tirano, amesquinha quem nos tortura, exorciza nossas
angústias. Não creio, aqui de meu ponto de vista brasileiro – e que outro ponto
de vista poderia importar? – que pudéssemos ter feito melhor.
Há um perigo, porém. Sempre há um perigo. A mesma piada que salva pode mascarar-se em
alienação. Como qualquer criação humana, também a piada deve ser
essencialmente crítica, já que é de sua pretensão ser isso: uma forma de
conhecimento. Ora,
quando o riso se perde em pura facilidade, em distração, morre a atitude
crítica. E o “jeito piadístico” estará a serviço de nossa inautenticidade.
Há indícios, entre nós, de tal coisa: deixar como está pra ver como é que fica;
não esquentar a cabeça [“quem esquenta a cabeça é palito de fósforo, e morre
queimado”]; analisa não; dá-se um jeito [“o que não tem remédio, remediado
está”].
O conformismo
brasileiro encontra aí ser terreno de eleição. Justificar, por exemplo, sua própria condição –
dependência, insolvência política, jogos de privilégios – através de um simples
“o brasileiro é assim mesmo”, eis o que impede seja criada entre nós uma
atitude tipicamente brasileira ao nível da reflexão crítica, proposta e
assumida como nossa. Desconhecendo-se,
mal sabendo de uma Razão Tupiniquim, o brasileiro aliena-se de dois modos:
rindo de sua sem-importância ou delirando em torno do “país do futuro”, em
variados “anauês”. Na verdade, conformismo e ausência de poder crítico, pois nos
dois casos há um abandono – “deixa como está para ver como é que fica” – e uma
esperança mágica – “dá-se um jeito”.
Mergulhado num
escafandro greco-romano – embora não seja nem grego nem romano – o brasileiro
foge de sua identidade. Tem sido na filosofia que o espírito humano tem buscado sua
auto-revelação. Porém, autocomplacente e conformista, sujeito sério,
o brasileiro ainda não produziu filosofia. Assim, é necessário advertir que um
pensamento brasileiro jamais esteve lá onde tem sido procurado: teses
universitárias, cursos de graduação e pós-graduação, revistas especializadas –
e logo se verá por quê. No bolor de nosso “pensamento oficial” não se encontra
qualquer sinal de uma atitude que assuma o Brasil e pretenda pensá-lo em nossos
termos. Além do palavrório aridamente técnico e estéril, das ideias gerais, das
teses que antecipadamente sabemos como vão concluir, das ideias bem pensantes,
nada encontramos que possa denunciar a presença de um pensamento brasileiro
entre nossos “filósofos oficiais” vítimas de um discurso que não pensa, delira.
Este livro inviável começa, pois, com uma série de
advertências. A questão de um pensamento
brasileiro deverá brotar de uma realidade brasileira – não do “pensamento”
e da “realidade” oficiais. Deve inventar
seus temas, ritmo, linguagem. E inventar seus pontos de vista. Obras como as de
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Machado de Assis, Lima Barreto, Sérgio
Buarque de Holanda, Noel, Chico Buarque, além daquilo que se tem feito no campo
das ciências humanas nos últimos anos, têm mais a nos dizer do que
as maçantes teses universitárias nas quais a filosofia se mascara no Brasil. O mesmo se diga do
torcedor de futebol, da porta-estandarte e do homem da rua em geral.
Mas não será apenas isso que irá tornar viável este
livro. Uma Razão não se faz com um livro. Provisoriamente, permaneçamos em
nossos limites. Não se trata de
“inventar” uma Razão tupiniquim, mas de propor um projeto, um certo tipo de
pretensão, certamente quixotesca e evidentemente absurda: pensar o que se é,
como se é.
CONTINUA NA PRÓXIMA
QUARTA...
Obs.: Os negritos
itálicos são os destaques do texto original; os [ ], os negritos
e os negritos
vermelhos são destaques nossos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar suicídios
Divulgando de BBC News Brasil...
O algoritmo desenvolvido por brasileiros para tentar prever e evitar
suicídios
Fernanda Wenzel De Porto Alegre para a BBC News
Brasil - 27 Novembro 2018
Image copyright Getty Images
Image caption Ferramenta é capaz de analisar sinais
de risco no uso do celular
"Alerta vermelho: você corre o risco de
cometer suicídio." Ao receber este aviso no smartphone, o paciente pode buscar
ajuda e evitar o pior. Este é o objetivo de um estudo realizado pela equipe do
Laboratório de Psiquiatria Molecular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
(HCPA) e divulgado na revista científica Plos One.
Os pesquisadores criaram um algoritmo capaz de
analisar textos em busca de sinais de que o autor daquelas anotações possa vir
a se matar. Como paciente fictício, a equipe do HCPA utilizou ninguém menos que
Virginia Woolf, escritora britânica que tirou a própria vida aos 59 anos.
Um dos responsáveis pelo estudo, o médico
psiquiatra e professor Ives Cavalcante Passos, explica que a opção por Virginia
Woolf se deve ao histórico da escritora, semelhante ao de várias pessoas que
acabam por se matar: sofria de transtorno bipolar e ao longo da vida tivera
diversos episódios
depressivos seguidos de tentativas de suicídio.
Virginia Woolf tinha a vantagem de ter uma vasta
produção de textos pessoais publicados, já que escrevia quase diariamente cartas
e anotações em seu diário.
- A possível e surpreendente causa para o Alzheimer
- Como o analfabetismo funcional influencia a relação com as redes sociais no Brasil
O algoritmo escolhido foi o mesmo utilizado pelos
e-mails para identificar quais mensagens devem ir para a caixa de spams e quais
devem ficar na caixa de entrada.
O primeiro passo foi "ensinar" o
algoritmo a identificar cartas e anotações relacionadas ao desfecho do
suicídio. Para isso, foram utilizados textos escritos por Virginia Woolf dentro
dos dois meses anteriores à sua morte.
Este corte temporal foi determinado pelos médicos, que
entendem que neste período ela já havia entrado em um estágio crítico para o
risco do suicídio.
Depois que o sistema estava treinado, ele foi
aplicado aleatoriamente em diversos textos da romancista, escritos tanto em
períodos pré-tentativas de suicídio como em outros períodos em que ela estava
fora de risco.
O resultado é que o algoritmo acertou em 80% dos
casos. Ou seja, a cada 100 textos analisados, em 80 ele apontou corretamente o
desfecho: se Virgínia iria ou não tentar se matar nos próximos meses.
Segundo Passos, a ideia é que, no futuro, a mesma
ferramenta possa ser transplantada para um aplicativo capaz de analisar tudo
aquilo que escrevemos no smartphone, como mensagens no WhatsApp e em redes
sociais, e que iria emitir um alerta caso haja risco de suicídio.
Mas o médico lembra que o algoritmo é
individualizado, já que o padrão de escrita de cada pessoa é diferente. Ou
seja, o algoritmo construído para Virginia Woolf funciona apenas para Virginia
Woolf.
Além disso, a ferramenta
só pode ser aplicada em pacientes que já tentaram se matar, justamente porque
precisa ser treinada com base em eventos prévios. Como explica o professor, o
principal fator de risco para suicídio é justamente já ter tentado suicídio.
Image copyright George C Beresford/Getty Images
Image caption Para desenvolver ferramenta, equipe
usou textos da escritora britânica Virginia Woolf
Mais do que isso, as pessoas costumam deixar sinais
de que vão se matar: "Essa pessoa que dá pistas, que fala que vai se
matar, que escreve uma carta de suicídio, ou o aluno que no colégio busca o
coordenador ou fala pro amiguinho que pode tentar se matar, essa pessoa a gente
tem que olhar com calma. Ela pode realmente se matar".
No futuro, o modelo criado pela equipe de Porto
Alegre poderá se tornar ainda mais preciso pela inclusão de outros fatores de
risco, como o sexo do paciente (no Brasil os homens se matam 4 vezes mais do
que as mulheres), histórico de suicídio na família ou consumo de álcool ou
outras drogas.
O professor não descarta que o aplicativo possa
analisar inclusive variações no fenótipo digital do usuário, como o tom de voz
ao telefone ou a velocidade de digitação.
Para o médico, este tipo de algoritmo deve tornar a
medicina mais preventiva: "Hoje o sujeito chega deprimido no meu
consultório. Imagina que no futuro talvez ele chegue muito antes. Não vamos
tratar o episódio depressivo, vamos prevenir o episódio depressivo".
O trabalho compôs a dissertação de mestrado de
Gabriela de Ávila Berni e contou com a supervisão do professor Flávio
Kapczinski, da McMaster University.
Para mim
o mundo era preto e branco
Teresinha de Lourdes da Silva tem 60 anos e já
tentou se matar duas vezes. A primeira foi há mais de 15 anos, depois do
divórcio do ex-marido. Três anos depois, uma nova crise depressiva resultou na
segunda tentativa de tirar a vida. "Eu não tinha mais graça em viver, para
mim o mundo se resumia em preto e branco."
As coisas começaram a mudar quando Teresinha
decidiu levar a sério o tratamento, com consultas periódicas ao psiquiatra e
uso de medicação. O apoio da família também foi fundamental, especialmente nos
períodos mais críticos da depressão, em que ela não podia ficar sozinha em
casa.
Image copyright Getty Images
Image caption Algoritimo desenvolvido por
pesquisadores brasileiros visa agir preventivamente
Teresinha voltou a trabalhar como babá e fica feliz
de servir de exemplo para quem está passando por momentos difíceis. Seu
principal conselho é procurar ajuda: "Nunca a gente consegue sozinho. Se
eu não tivesse procurado um atendimento especializado eu tinha me consumido.
Eles (profissionais de saúde) são os anjos da minha vida".
Para o médico Ives Cavalcanti Passo, o caso de
Teresinha comprova o quanto o suicídio pode ser evitado: "Se a pessoa tem
ideação suicida, se tu identifica e trata bem, é um evento extremamente
reversível".
Virginia
Woolf: traumas familiares e obscurantismo
A "paciente" escolhida no estudo do HCPA
teve uma vida conturbada, seja pelo âmbito familiar como pelo contexto
histórico que a Europa vivia na primeira metade do século 20.
Nascida em 1882 em um distrito de Londres, Reino
Unido, Virginia Woolf cresceu em meio a artistas e intelectuais fortemente
influenciados pelos pensamentos que surgiam na época, entre eles a psicanálise
e o niilismo.
A professora do Programa de Pós-graduação em Letras
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Elaine Indrusiak lembra que este
ideário pré-guerras mundiais teve forte influência na vida e obra de Virginia
Woolf.
"O choque entre a moralidade vitoriana muito
rigorosa e o obscurantismo que começa a surgir, da falência de tudo (...)
Virginia coloca em letras essa fragmentação que ela vivia e sentia na psique,
mas que também é uma fragmentação da própria sociedade em que ela vive".
No âmbito pessoal, a vida de Woolf foi marcada
pelas perdas da mãe (aos 13 anos) e de dois irmãos. Várias biografias contam
que ela e a irmã Vanessa foram abusadas sexualmente por dois meio-irmãos mais
velhos.
Segundo Indrusiak, a escritora também não se
conformava com a maneira como a sociedade subjugava as mulheres. Fatores que,
associados ao diagnóstico de transtorno bipolar, explicam muitas das angústias
reveladas nos diários e cartas analisados pelos médicos do HCPA.
Image copyright Central Press/Getty Images
Image caption Virginia Woolf viveu em contexto familiar
e histórico conturbados
Do ponto de vista literário, a professora destaca
que Virginia Woolf é uma das escritoras que utilizaram de forma mais magistral
a técnica do fluxo de consciência e destaca três obras da romancista inglesa: Rumo
ao Farol , Mrs. Dalloway e Orlando.
O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio
emocional e prevenção do suicídio de forma voluntária e gratuita pelo telefone
188, sob total sigilo, 24 horas por dia. Para mais informações sobre onde
procurar ajuda para si ou para amigos e familiares, acesse: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio.
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